Mãe percorre mais de 500 km no Piauí por tratamento para filha com microcefalia

A cada 15 dias Maria de Fátima viaja de São Raimundo Nonato para Teresina para terapia de Maria Fernanda.

Quase dois anos após as primeiras notificações de casos de microcefalia no Piauí, mães de bebês com má formação se unem ainda mais em busca de melhorias na saúde para os filhos. Em busca de mais informação as mães lutam também contra o preconceito e em busca do melhor tratamento possível para os pequenos.

Mães de crianças que fazem tratamento no Ceir , no Piauí Foto: Ellyo Teixeira/G1

Atualmente, no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), cerca de 80 crianças com microcefalia são atendidas. Elas passam a tarde entre atividades de fisioterapia, fonoaudiologia e acompanhamento psicológico. Contudo, a necessidade de cuidados contínuos ainda exige atenção em tempo integral de quem cuida de uma criança com microcefalia.

Vitória Araújo é mãe de Alicia Valentin, de dois anos. Para cuidar da filha ela teve que largar o emprego de doméstica. “Antes eu tinha pessoas que precisavam do meu trabalho, hoje eu tenho minha filha que precisa dos meus cuidados e do meu amor. Dedico todo o meu tempo a minha bebê. Sou feliz e quero que ela também seja”, disse.

Mesmo com o apoio especializado e a união com outras mães, o preconceito ainda é uma realidade para as crianças com microcefalia. “As vezes a gente anda em um lugar e percebe que muitas pessoas olham diferente. Muitas viram para a gente com olhar de pena, mas essas pessoas não sabem que ali tem uma criança muito amada e feliz, tenho certeza disso”, diz a mãe com um sorriso e lágrimas correndo pelo rosto.

Outra mãe que enfrenta as dificuldades da sociedade e os limites causados pela microcefalia é Mayara Lopes. Ela percorre 100 quilômetros duas vezes por semana, de São Pedro do Piauí para Teresina, a fim de proporcionar um tratamento adequado para a filha Maria Isis, de um ano e oito meses.

“Quando minha filha nasceu eu já sabia que teria que enfrentar muitas barreiras, mas a gente aprende muito com isso e hoje sou muito feliz com minha filha. Percebi que com o tratamento ela já consegue desenvolver movimentos que pareciam impossíveis”, contou Mayara.

Distancia e limite são duas palavras que Maria de Fátima Rocha não conhece. Para realizar o tratamento da filha Maria Fernanda, a dona de casa não mede esforços. Moradora de São Raimundo Nonato, interior do Piauí, ela e a filha percorrem 517 quilômetros a cada 15 dias.

“Faço isso com muito amor. A terapia que minha filha recebe aqui também serve para mim. Depois que a Maria Fernanda nasceu eu aprendi a ser uma pessoa melhor, mais amável e atenciosa. Hoje posso dizer que sou muito feliz e não vejo barreiras para impedir essa felicidade”, revelou.

Direitos das mães precisam ser defendidos, afirma delegada

Em busca de trocar experiências e conhecer mais a respeito dos direitos que possuem as mães de crianças com microcefalia participaram de uma roda de conversas para proteção delas e dos filhos, contra a violência doméstica. A palestra foi com Luana Alves, delegada da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

“Eu pude passar um pouco de conhecimento para essas mulheres, mas tenho certeza eu fui a pessoa que mais aprendeu. São mulheres guerreiras e que oferecem muito amor aos filhos. A gente sabe da dificuldade que é ter uma filha ou filho com microcefalia, pois é um problema que ainda é estudado e geralmente essas mulheres são abandonadas com os filhos por seus maridos. Nessas conversa pude passar quais são os direitos delas caso isso ocorra”, detalhou a delegada.

Atendimento profissional garante avanços para crianças

A microcefalia impõe limitações no desenvolvimento das crianças. Cada pequena conquista acaba sendo importante, até mesmo na fala. “As crianças não conseguem falar normalmente, os movimentos são comprometidos, mas com muita terapia e cuidado elas conseguem viver bem”, disse a fonoaudióloga, Roberta Portela.

Outra profissional que cuida das crianças é a psicóloga Leila Rocha. Ela é responsável pelo comportamento dos pequenos e das mamãe. “Desde muito cedo é importante essas crianças e as mães terem acompanhamento psicológico, pois a gente sabe que isso afeta de uma forma ou de outra. A gente procura saber a demanda das mãe e as orientamos da melhor maneira possível”, explicou.

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