Empreendedorismo jovem: com pouca idade, eles viraram empresários e se sustentam com a própria marca

    A criatividade aliada à determinação da juventude faz com que pessoas mais novas se tornem cada vez mais protagonista no mundo dos negócios.

    O empreendedorismo jovem é um fato que vem se tornando recorrente, tendo em vista que a cada dia que passa conhecemos novas pessoas que tiveram uma ideia inovadora e decidiram investir nela para alcançar o sucesso. Considerado um fator chave para o crescimento econômico, através da criação de empregos e estabilidade social, a juventude empreendedora possui enorme relevância no desenvolvimento do país, e vêm revelando a sua importância e o seu aumento na participação da economia.

    Buscamos histórias diferentes, mas que seguem o mesmo ideal empreendedor seja qual for o ramo em que ela se encaixe. Conheça os empresários Mikaella Brito, Luan Castro e Bruno Portela, três personagens com média de idade de 23 anos e donos dos próprios negócios no Piauí.

    Luan Castro, Mikaella Brito e Bruno Portela, jovens empresários do Piauí (Foto: Reprodução)
    Luan Castro, Mikaella Brito e Bruno Portela, jovens empresários do Piauí (Foto: Reprodução)

    Empresária aos 16 anos

    A jovem teresinense Mikaella Brito, de 22 anos, une fatores que são primordiais no empreendedorismo. Com criatividade, inovação e competência, ela também adicionou o seu domínio da tecnologia e a afinidade com a internet para abrir o próprio negócio. Mesmo com a pouca idade, Mikaella já é dona e diretora criativa de três marcas, uma de roupa adulta, uma de loja de acessórios e uma loja infantil. A Zoka Bizoca, a Mermã que Lindo e a Maria Diva, respectivamente, vem conquistando espaço no mercado.

    Mikaella Brito, empresária atualmente tem três marcas de roupas (Foto: Reprodução)
    Mikaella Brito, empresária atualmente tem três marcas de roupas (Foto: Reprodução).

    Mikaella possui mais de 38 mil seguidores em seu Instagram e, com isso, grande visibilidade no mundo da moda no Piauí e em crescimento por todo o Nordeste. Ela começou no meio empreendedor com apenas 16 anos, quando sua irmã mais velha, Debora Brito, que tinha uma loja de roupa infantil, estava nos planos de fechar por motivos pessoais. Mikaella então perguntou se poderia aproveitar para vender algumas peças confeccionadas pela sua mãe, Jaqueline de Brito, enquanto o ponto da loja não era alugado. Foi o início da história.

    “Comecei a divulgar no Instagram essas peças que minha mãe havia confeccionado e, graças a Deus, foi dando muito certo. As pessoas foram gostando e isso tomou uma proporção tão grande que a loja não fechou mais e então decidimos mudar o seguimento de infantil para “modinha” jovem/adulto”, diz Mikaella Brito.

    Desde o início ela sempre teve o apoio da família e relata que a maior dificuldade foi conseguir se inserir no mercado piauiense, principalmente por conta da idade. Sem nem mesmo ter atingido a maioridade na época, as pessoas não davam muita credibilidade ao seu trabalho, mas com insistência, uma veia comercial e a divulgação com qualidade nas redes sociais, ela foi conseguindo atingir objetivos e fazer com que a empresa chegasse a um patamar sólido e reconhecido.

    As marcas de Mikaella Brito participam de grandes eventos de moda em Teresina, provando que os projetos são qualificados e ganham repercussão: “É um meio de consagrar e mostrar as novidades da Zoka Bizoca, que traz estampas exclusivas e modelagens mais sofisticadas e fixar a loja Mermã que lindo e a Maria Diva. É bem legal atrelar uma marca a outra, uma fortalece a outra”, conta a empresária.

    Alguns dos motivos para empreender no Brasil estão: a realização de um sonho, o desejo de explorar uma oportunidade comercial, a vontade de não ter chefe, ganhar uma renda extra sem deixar as ocupações, e as dificuldades que a juventude enfrenta na inserção no mercado de trabalho é o que, consequentemente, não lhes resta alternativa senão empreender.

    A inspiração no seu habitat

    Seguindo uma história parecida com a de Mikaella está Luan Castro. Natural de São Raimundo Nonato, município situado no Sudeste do Piauí, a 520km de Teresina, ele criou uma marca própria de roupas que tem como principal tema de sua coleção as importantes e históricas pinturas rupestres do Parque Nacional Serra da Capivara, da região de onde é natural.

    Luan Castro, criador e empresário da marca Moascha (Foto: Reprodução)
    Luan Castro, criador e empresário da marca Moascha (Foto: Reprodução).

    A marca Moascha tem uma identidade única e genuína, motivo de orgulho para o jovem empresário: “A ideia de empreender nasceu junto com a ideia de criar a marca. Desde criança eu tinha essa vontade de criar uma marca de roupas inspirada em São Raimundo Nonato e na Serra da Capivara. Considero a peça de roupa um meio de comunicação. É possível saber muito sobre uma pessoa pela camiseta que ela veste e a mensagem que ela transmite”, diz o jovem.

    Luan pode ser considerado o retrato do perfil do jovem empreendedor de hoje. Com habilidade na comunicação e interesses múltiplos, sabe lidar com mais de um assunto, tem domínio e desenvoltura com novidades tecnológicas, unindo-se ainda à ousadia e o interesse em se manter sempre conectado, ligado às tendências do mercado. Além disso, a persistência e dedicação são fatores importantes, pois os negócios tendem a levar tempo até se firmarem, sendo necessário persistir e superar as adversidades.

    O jovem empresário conta que as pessoas desacreditavam muita da ideia dele, dizendo que seria impossível colocar aquele projeto em prática: “Passei por algumas dificuldades por conta do campo econômico de São Raimundo Nonato. A moda não é desenvolvida na cidade, seja pela falta de mão de obra especializada, pelas dificuldades de encontrar  material ou mesmo pela falta de incentivo, já que antes de qualquer coisas as pessoas não acreditavam que poderia dar certo”, diz Luan.

    Mas foi com uma ideia original, fugindo do óbvio, Luan cresceu, foi ganhando credibilidade e se firmando no mercado: “Eu desenvolvi uma linha com mais estilo, que pudesse ser usada em varias ocasiões. Já existia uma linha de camisetas da Serra da Capivara na cidade, porém eram voltadas mais para servirem de arquivo de lembranças para os visitantes do Parque. Busquei fugir desse estilo”.

    Luan conta que iniciou sua produção com apenas R$ 300, valor emprestado pelo irmão: “Me diziam que eu tinha desembolsar uma grana muito alta, em torno de R$ 100 mil, para iniciar a empresa. Que as pessoas não são abertas a esse tipo de ideia, que elas têm vergonha de usar as coisas da Serra da Capivara… Tudo isso foi sendo superado.”

    A Moascha vai fazer quatro anos de mercado, se mantendo ainda com o estilo implantado por Luan e uma produção com técnicas 100% artesanal. Atualmente, Luan toca a empresa com sua sócia Patrícia Macedo, umas das pessoas que acreditaram em sua ideia: “É tudo produção própria, desde a ideia, fotografia, pintura, técnica e o tingimento tai dai, que é o forte diferencial da marca. As pessoas não compram somente uma camiseta, elas adquirem ali uma identidade”, explica.

    Moascha tem a sua produção inspirada em São Raimundo Nonato e no Parque Nacional Serra da Capivara (Foto: Reprodução)

     “A pessoa não compra apenas uma camiseta comercial, ela compra uma identidade, por isso o valor da camiseta é um valor acima do que é vendido aqui na cidade com outras ideias comuns de camisetas da Serra da Capivara…”, diz Luan.

    O jovem tem planos para o futuro que é de buscar assegurar a ideia de valorização da Serra da Capivara dentro de São Raimundo e pelo mundo a fora. Para isso, planeja adquirir novos conhecimentos nos ramos necessários: “Quero capacitar profissionalmente mais pessoas, ter cuidado com a imagem da marca, fazer uma coleção regional maior. Sempre o principal será tentar crescer dentro da minha ideia, não quero fugir disso. Pretendo valorizar cada vez mais a região, com a caatinga, o homem americano, a Serra da Capivara… assim fazer com que mais pessoas possam valorizar nossas belezas”.

    Ideia antiga, mentalidade nova

    Mas nem só do mundo da moda e da tecnologia se vive o empreendedorismo jovem. Uma ideia “comum” também pode se tornar diferente, bastando a criatividade e a determinação. Um exemplo disso é Bruno Portela, que virou empreendedor ao abrir um mercado em Teresina.

    Bruno Portela, empresário do Araçás Express, em Teresina (Foto: Reprodução)
    Bruno Portela, empresário do Araçás Express, em Teresina (Foto: Reprodução)

    Aos 24 anos, Bruno já tinha experiências no ramo do comércio e viu na oportunidade de abrir o próprio, o Araçás Express, a chance de crescer. Jovem, ele já conhece as dificuldades e busca superá-las: “As nossas maiores dificuldades são a falta de incentivo do estado, com cobranças abusivas de impostos e taxas para quem trabalha dentro da legalidade, mas eu sempre tive ótimos exemplos de pequenos empresários na família e isso me incentivou muito”.

    Na hora de empreender, Bruno também sentiu falta de uma educação voltada para a área. Ele critica o modelo de ensino para esse caso: “O nosso sistema educacional é muito frágil quando o assunto é te ensinar a ser um empreendedor. Os professores não tem propriedade para te falar da rotina e da prática, já que não faz parte do ramo deles. Com isso, um diploma não te dá garantia de desenvolver um bom trabalho. É necessário ainda ter dedicação para divulgar o seu trabalho, que tem que ter qualidade para conquistar os seus clientes”, conta Bruno.

    Para se diferenciar dos demais comerciantes locais, Bruno aposta na venda através da tecnologia. Ele anuncia produtos via Instagram e realiza vendas pelo WhatsApp, contando com a entrega delivery.

    Com as dificuldades, Bruno aprende a cada dia e segue firme no desejo de tornar o seu sonho e sua perspectiva, em realidade: “Os empreendedores de sucesso são exemplo e fonte de inspiração para fazer mais e melhor; Quanto maior o sonho, maior a disposição para enfrentar os obstáculos”, finaliza o empresário.

    Os jovens empreendedores estão em busca da inovação e enxergam isso como chave para se destacar no mercado competitivo. Eles englobam várias (se não todas) camadas da sociedade. Sejam eles guiados pela necessidade buscando uma forma de se manter, ou aqueles que agarram a oportunidade que lhe aparecem, eles têm a mentalidade empreendora e fazem deles cada vez mais em evidência no mercado profissional

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