Um dos maiores fotojornalista da caatinga, André Pessoa lança livro em São Paulo

Se pudéssemos pegar todos os flagrantes captadas pelas lentes de André Pessoa, desde a imensidão da caatinga a grandeza do povo nordestino, certamente daria para construir um museu de grande valor fotográfico. Ainda não temos, no entanto, para resgatar os 30 anos de trabalho, o fotojornalista com maior projeção nacional e internacional do estado, selecionou fotos e editou o livro “Piauí: Terra Querida, Filha do Sol do Equador”. A edição já foi lançada em vários estados e nesta terça-feira (25) será em São Paulo, no shopping Olimpia.

André Pessoa é um dos maiores documentaristas do estado e no livro de 132 páginas ele traz imagens de três décadas de registros ininterruptos. Há flagrantes que vão das nascentes ao Delta do Parnaíba; do interior semiárido ao marisqueiro do litoral; das plantas aos bichos que habitam a Caatinga, o Cerrado, as zonas costeiras e as florestas tropicais.

O livro já foi lançado em Brasília, Rio de Janeiro, Teresina, Parnaíba e São Raimundo Nonato em uma  sessão com a Academia Piauiense de Letras.

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Veja o que ele diz sobre o livro: 

Como surgiu a ideia do livro? Como foi a seleção das imagens?  

O livro é uma espécie de edição dos 30 anos de documentação no Piauí. Meu trabalho sempre foi muito reconhecido em função da Serra da Capivara e nesse trabalho destaco o Piauí de norte a sul, em especial o seu povo.

Algumas imagens são especiais pra você? e porquê? 

Sim, são imagens que marcaram minha carreira nessas três décadas. A capa do convite, por exemplo, mostra um sertanejo do município de Caracol, feira na década de 1990 antes mesmo do município de Guaribas se emancipar. Ele é um morador do povoado Queimada do Angico, nas fraldas da área que em 1998 seria transformada no Parque Nacional Serra das Confusões. Seu Lino criava gado e pequenos animais na região.

Como o público pode adquirir seu livro? 

O livro é comercializado durante os lançamentos ou é possível encontrar na livraria da Travessa nas grandes cidades e aeroportos, ou em Teresina nas principais livrarias.

Como se sente ao ver seu trabalho, mais uma vez, sendo visto na maior metrópole do País? 

Tenho uma relação de respeito e amor com São Paulo. Durante as décadas de 2000 e 2010 trabalhei para os principais veículos de comunicação do País com destaque para Rolling Stone, National Geographic, Discovery Magazine, Caminhos da Terra, Horizonte Geográfico, Época, IstoÉ, entre muitas outras e fiz grandes amizades. Rodei o mundo fazendo trabalho para essas publicações, mas nunca deixei minha casa em São Raimundo Nonato que é onde vivo e desejo ficar.

Quais os trabalhos que está desenvolvendo atualmente?

Estamos trabalhando em vários documentários para emissoras do exterior e no planejamento de um grande evento de cinema no Piauí que ainda não podemos  divulgar, mas que terá repercussão nacional.

André Pessoa é autor de projetos como A Natureza do Piauí (2014), Caatinga Selvagem (2015) e Olhais (2021).

O livro é inspirado na trilogia do centenário livro Os Sertões, de Euclides da Cunha. André Pessoa definiu o caminho para representar o Piauí com os capítulos, o chão, o povo, as plantas e os bichos.

O livro traz também vários colaboradores que André convidou para relatar o universo chamado Piauí, abrindo o livro com cinco poesias do médico Luiz Ayrton Santos Júnior. A ex-governadora do Piauí, Maria Regina de Sousa assina o prefácio da obra seguido pela introdução do jornalista Allisson Bacelar. Representando o Movimento Nacional de Direitos Humanos, Maria da Conceição da Silva Araújo, dona Cecé, escreve um emocionante roteiro ambientado no interior do Piauí.

Os textos foram produzidos por Sérgio Adeodato, Francisco José, Rute Andrade, Toni e Célia Nogueira, Tânia Martins, Otacílio Nétto e Marcos Damasceno. A obra é assinada pelo designer gráfico Tupy, uma poesia de Paula Nunes sobre a carnaúba, que é a grande imagem de destaque na capa.

André Pessoa é autor das fotografias que levaram o Ministério do Meio Ambiente a criar, em 1998, o Parque Nacional Serra das Confusões, hoje uma das maiores unidades de conservação do Brasil, com 825 mil hectares.

Colaborou na implementação do Parque Nacional Nascentes do Parnaíba, na criação do Corredor Ecológico Capivara-Confusões e nas campanhas em defesa da Serra Vermelha, ameaçada de virar carvão na década de 2000.

Pernambucano natural de Recife, é cidadão piauiense. Ele vive ao lado do Parque Nacional Serra da Capivara, Patrimônio Cultural da Humanidade, onde dedica grande parte da sua carreira profissional. Em 2015 criou o Instituto Ecológico Caatinga (IEC), organização não governamental, sem fins lucrativos, que mantém o projeto do Viveiro Mata Branca, de produção, plano e distribuição gratuita de mudas da Caatinga.

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