Mamonas Assassinas, o fenômeno do ‘rock bobagem’ e a morte trágica

Após virar febre no país com sua Brasília amarela, no auge da fama acidente de avião em SP, há 20 anos, matou os cinco integrantes da banda pop, chocando os brasileiros

Foi um recorde de vendas em tão pouco tempo. O primeiro e único disco dos Mamonas Assassinas venderia, em seis meses, quase dois milhões de cópias. Efêmera graças ao acaso, a trajetória meteórica do grupo de Guarulhos teve início com o recorde de vendas do álbum homônimo, em 1995, e um fim trágico em 2 de março de 1996. A morte de todos os integrantes da banda num acidente de avião na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo, provocou comoção nacional.

Álbum. Capa do CD dos Mamonas Assassinas lançado em 1995

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Os Mamonas — Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto (Alberto Hinoto), Samuel Reoli (Samuel Reis de Oliveira), Sérgio Reoli (Sérgio Reis de Oliveira) e Júlio Rasec (Júlio César) — viveram o auge do “rock bobagem”. Febre entre o público jovem e infantil, a banda foi se formando também por acaso. Em 1989, os dois primeiros integrantes, o baterista Sérgio Reoli e o guitarrista Bento Hinoto se conheceram por meio de parentes. Num ensaio, o irmão de Sérgio, Samuel Reoli passou a tocar baixo para se juntar aos dois. Com a base formada, o grupo começou com o nome “Utopia”. O vocalista Dinho fora achado durante um show na periferia de São Paulo, quando se ofereceu para cantar um cover de Guns n’ Roses. Depois, ele mesmo apresentou o amigo e tecladista Júlio Rasec. Estava formada a banda, que continuaria “Utopia”, até encontrar no produtor pop Rick Bonadio a virada da carreira. A relação daria a ambos notoriedade no mundo musical.

Já sob o nome de Mamonas Assassinas, o lançamento de seu disco homônimo precisaria de pouco tempo para estourar. “Os cabelos são cor de abóbora, azul escuro com vermelho e rastafári. Eles são os Mamonas Assassinas, o maior fenômeno comercial do mercado fonográfico dos últimos tempos”, informava O GLOBO, em 6 de dezembro de 1995, anunciando os primeiros shows da banda no Rio de Janeiro. A viagem fazia parte de uma longa turnê pelo Brasil, com shows por toda as regiões.

E foi na última destas viagens que a carreira dos Mamonas teria desfecho trágico. Toda a banda estava no voo entre Brasília, cidade do último show de sua vitoriosa turnê nacional, e São Paulo, no dia 2 de março de 1996. Era noite de um sábado quando o jatinho se chocou contra a Serra da Cantareira e ficou completamente destruído, sem chance de sobreviventes. Os cinco músicos foram enterrados em sua cidade natal, em Guarulhos, dois dias depois do acidente. O GLOBO faria dupla homenagem, com dois cadernos especiais dedicados ao grupo, nos dias 4 e 5 daquele mês. No primeiro primeiro caderno especial, com o título na página de abertura “O último vôo da irreverência que encantou o Brasil” , o jornal publicou 12 páginas. Na edição especial do dia seguinte foram mais oito páginas, contando o clima de comoção durante o velório e enterro dos músicos em Guarulhos.

E por todo o país, rádios e TVs não paravam de tocar a música “Pelados em Santos”. A banda multiplicou fãs Brasil afora com seus refrões bem-humorados e sua Brasília amarela (“Mina/seus cabelo é da hora/Seu corpão violão, meu docinho de coco/Tá me deixando louco/Minha Brasília amarela/Tá de portas abertas/Pra mode a gente se amar/Pelados em Santos”). O quinteto já se preparava para a sua primeira turnê internacional. O próximo pouso seria Portugal.

*Com edição de Gustavo Villela, editor do Acervo O GLOBO

Show. Mamonas (esq. p/ dir.): Samuel Reoli, Dinho, Júlio Rasec (cabelo laranja, no alto), Sérgio Reoli (de cavanhaque) e Bento Hinoto

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