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  Publicado em 03/02/2010 - 02:14:35

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Joaquim Rodrigues Damasceno: o homem e a História
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Tudo começou com Valério Coelho Rodrigues, seu trisavô, nascido em 1713, na freguesia de São Salvador do Paço de Souza, Bispado do Porto - Portugal. Ele veio para o Brasil, chegando primeiro em São Paulo onde se casou com Domiciana Vieira de Carvalho, a “Paulistana”. Era baronesa. E a convite do Imperador Dom Pedro I, veio para o Piauí construir suas fazendas. Na época, o Piauí tinha uma pecuária forte. Tanto que as fazendas do próprio Dom Pedro I eram aqui, na região da antiga Oeiras, depois capital piauiense. E isso continuou com Dom Pedro II, onde surgiu a homenagem da nova capital piauiense (Teresina), situada na Chapada do Corisco, à sua mulher Teresa Cristina (Teresina: “Teres” de Teresa e “ina” de Cristina). Também, anos depois, surgiu a homenagem à baronesa “Paulistana”, na região das suas fazendas, no município de Paulistana-PI. Valério Coelho Rodrigues faleceu em 1813.

Depois veio o protagonismo de Manuel de Sousa Martins, o “Visconde da Parnaíba”, neto de Valério Coelho Rodrigues e primo de Basílio Rodrigues Damasceno, meu trisavô, e avô de Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô). Manuel de Sousa Martins nasceu em 08 de dezembro de 1767 na fazenda Serra Vermelha situada no município de Oeiras-PI, hoje localizada no município de Paulistana-PI. Era filho do português Manoel de Sousa Martins e de Ana Rodrigues de Santana (filha de Valério Coelho Rodrigues). Manuel de Sousa Martins foi importante na Independência da Província do Piauí, tendo presidido a Junta Governativa Piauiense (1823-1824), tendo sido seu primeiro governante (1824 a 1828), tendo sido presidente da Província do Piauí outras duas vezes (de 13 a 15 de fevereiro de 1829/de 7 de fevereiro de 1831 a 30 de dezembro de 1843). Faleceu no dia 20 de fevereiro de 1856, aos 88 anos, sendo sepultado junto ao altar-mor de Oeiras-PI, primeira capital do Piauí. Se não me falha a memória, o atual vice-governador do Estado do Piauí, Wilson Martins, é seu bisneto.

Assim definiu um historiador sobre Manuel de Sousa Martins: “Morria o homem, nascia o ícone piauiense que legou a seu povo o modelo de homem íntegro, dedicado e perspicaz nas coisas que fazia, leal às suas convicções e fiel às suas origens de nordestino sertanista. Honrou o seu Estado e, acima de tudo, dignificou o sentimento de patriotismo pelo Brasil.”

Para dar prosseguimento a essa história, surgiu o inteligentíssimo Antônio Coelho Rodrigues, neto de Manuel de Sousa Martins. Nasceu em Oeiras-PI, no dia 04 de abril de 1846. Filho de Manoel Coelho Rodrigues Filho e Ana Joaquina de Sousa Martins (filha de Manuel de Sousa Martins). Antônio Coelho Rodrigues estudou no educandário da fazenda do seu trisavô Valério Coelho Rodrigues, sendo o professor, o Padre Joaquim Damasceno Rodrigues, seu primo. Formou-se em 1866 em Direito, pela Faculdade de Direito de Recife, Estado do Pernambuco. Exerceu a advocacia. Elaborou na Comissão do Império o Código Civil (1897), o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Direito da Família, dentre outras teses. No monumental ‘Código Civil Brasileiro de 1916’, suas teses foram adotadas como anteprojeto. Dizem os historiadores que as teses de Antônio Coelho Rodrigues eram muito modernas para a época, por isso não foram adotadas integralmente. Rui Barbosa, seu amigo, certa vez comentou sobre a proposta de Antônio Coelho Rodrigues: “Dava direito aos que não tinha direito algum.” Vale salientar, que somente na ‘Constituição Federal de 1988’ é que seu texto foi adotado de forma integral, demonstrando ser, então, um homem visionário. Exerceu também a política. Foi Deputado Geral, hoje deputado federal, pelo Estado do Piauí (1869-1872), Deputado Geral pelo Estado do Piauí (1878-1886), senador da República pelo Estado do Piauí (1893-1896) e prefeito da cidade do Rio de Janeiro, então capital federal (1900 a 1903). Faleceu no dia 01 de abril de 1912.

Basílio Rodrigues Damasceno, meu trisavô, avô de Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô) e neto de Valério Coelho Rodrigues, foi no final do século XIX para a região de baixo da antiga Oeiras. Não existiam nem os municípios de São Raimundo Nonato-PI e São João do Piauí-PI, os mais velhos. Hoje município de Dom Inocêncio-PI. E aqui construiu sua família. Teve vários filhos. Mas um teve destaque: João Rodrigues Damasceno, meu bisavô e pai de Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô). Nasceu em 1890. Foi um dos emancipadores da região. Em 1918 já era líder político. Participou da fundação do ‘Partido Comunista Brasileiro-PCB’ (1922), recepcionou a ‘Coluna Prestes’ em Oeiras-PI (1924-1927), particpou da ‘Revolução de 30’ (1930), solidarizou-se com a ‘Aliança Nacional Libertadora-ANL’ (1935), foi nomeado juiz de Direito pelo presidente Getúlio Vargas, como rábula (1942), idealizou com o bispo Dom Inocêncio a ‘Campanha Liberdade e Propriedade’, para o registro de pessoas e terras (1950). Participou da tentativa de emancipação do município de Dom Inocêncio-PI (1966), emancipado em 1988. Faleceu em 1968.


(Meu avô e eu, na nossa conversa sagrada/2007)


João Rodrigues Damasceno teve notáveis filhos. Cito três: Joaquim Rodrigues Damasceno (meu avô), José Rodrigues Damasceno–“Zeca” e Hermino Rodrigues Damasceno. Conheci e convivi com os três. Somente meu avô ainda é vivo.

Hermino Rodrigues Damasceno nasceu em 1930. Na época, um jovem letrado e com uma desenvoltura considerável. Tinha uma habilidade singular em resolver problemas, enumerar metas e prioridades, e coordenador missões. Do seu planejamento surgiram muitas obras sociais na região. Era muito organizado e muito sensível socialmente. E justo. Sempre preocupado em apresentar solução para os problemas sociais existentes na região. Foi quem nos educou e ensinou-nos desde cedo a trabalhar e a ter responsabilidade social. Deixou-nos o legado de utilidade pública.

O então prefeito Bitoso Silva, de São Raimundo Nonato-PI, amigo da minha família, gostava muito dele.

José Rodrigues Damasceno - “Zeca” nasceu em 1927. Era escritor e historiador. Até hoje nunca conheci alguém que conhecesse melhor sobre a história popular da nossa região do que ele. Quantas vezes entramos na noite conversando sobre fatos e acontecimentos... Eu criança e ele já idoso. Era meu Mestre. Era minha âncora. Foi minha escola de cidadania e de formação humana.

Joaquim Rodrigues Damasceno, meu avô, nasceu em 1925. É a pessoa mais importante da minha vida. Desde criança já o acompanhava nas suas andanças pela vida pública. São 85 anos de idade e 67 anos de vida pública. Desde 1943. Suas experiências e sua história fizeram o diferencial na minha vida. Meu Mestre na política e na vida. Lembro quando criança que dizia: “Está com você é sentir alegria, ânimo pra vida e saudade do meu pai”. A sua presença é fundamental, me dá ânimo para batalhar, coragem para enfrentar, fé para persistir e experiência para vencer. Quantas histórias vividas, histórias para contar...

Pra finalizar, dizer que a História é nosso maior patrimônio (pessoal, familiar e social). Como diz uma frase célebre: “A História é uma construção de nós mesmos.”

Marcos Damasceno
(escritor)
 

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11 Comentários

  1. Kari Ramos | 03/02/2010 - 16:39hs

    Parabens Marcos Damaceno, por mais esta narrativa Historica dos desbravadores de nosso Estado e de nossa região.........

  2. Frei Osmar Negreiros | 15/02/2010 - 16:11hs

    Prezado Marcos, mesmo já tendo contactado com você, mas sempre manifesto o quanto o admiro, assim como a forma séria, adulta, bem pesquisada de seus artigos. O nosso Estado e, sobretudo, a nossa região, devem mto à sua dedicação que mto enriquecem nossa gente. Os mais novos nem sempre assimilam o que temos de melhor da nossa própria história, dos nossos antepassados. Você é uma vasta escola muito acessível a todos. Ainda teremos mto a partilhar pelo que temos de mais precioso até o presente momento. Torço por você, e espero beber mto dessa fonte dos seus conhecimentos através dos escritos. Mto boa sorte. Além desses artigos nos portais, algum dia desejo obter matérias completas, em livros. Forte abraço.

  3. ligia | 26/02/2010 - 08:44hs

    parabens marcos.esse seu mterial é de um enriquecimento incrivel.quem dera eu soubesse alguma coisa da minha origem. desta forma, que é tambem uma familia de homens inteligentes e integros.sou filha de laerte cesario de oliveira.voce de fato é ouro em pó como diz minha comadre. VALEU.

  4. Marcelo Damasceno | 27/02/2010 - 15:35hs

    Marcos parabéns pelo o que contas no texto. Tenho orgulho de ser neto do Sr. Joaquim, homem de história.

  5. Gustavo Almeida | 01/03/2010 - 22:07hs

    Realmente uma grande e relevante história... Parabéns mais uma vez amigo Marcos!!!

  6. Jessica Tays | 12/05/2010 - 23:33hs

    Caro Marcos, gostei muito so seu trabalho, e o que mais me chamou atenção foram as familias das quais vc citou, tenho grande interesse na Historia da familia Rodrigues Martins, e Coelho Rodrigues, visando a união das duas familias. Gostaria que vc me esclarecesse como se deu essa união dessas familias, a chegada das mesmas à região do Piaui e sua importancia na região.Pois estou fazendo um artigo sobre a fazenda onde o Coelho Rodrigues nasceu, denominada de Bugueirão e preciso entender melhor essas familias para saber por quem essa fazenda foi fundada e seus principais representantes. Atenciosamente.

  7. Rosenir Miranda | 02/04/2010 - 15:05hs

    Parabens foi um prazer conheçer esta historia apesar de ter nasçido nesta regiao pois m vim embora muito cedo pra salvador

  8. Giomara Rodrigues Damasceno | 14/04/2010 - 23:50hs

    Estava a procura sobre algo dos Damasceno.Tenho familia no Piaui,mas exatamente em Paulistana.Sempre fui mto curiosa a saber sobre meus antepassados. Apesar de nao haver nenhum indício de parentesco (ate mesmo porque me falta informaçoes),achei curioso, o fato de tanto conter aqui o sobrenome de minha familia paterna [Rodrigues Coelho],quanto o de conter o sobrenome de minha familia materna [Rodrigues Damasceno]. Parabens pelo texto,foi mto bem elaborado.Gostaria de um dia chegar a saber tanto quanto vc,sobre meus antepassados. mais uma vez,Parabens :)

  9. João Damasceno Porto | 26/04/2010 - 09:09hs

    Prezado Marcos Damasceno Meu avô era um Pernanbucano, cujo o nome era João Ferreira Damasceno, ele veio para Catalão no final do século 19. Pergunto-lh se em teus estudos, consta algo sobre este Damasceno Parabens pelo estudo pioneiro. Abraços João Damasceno

  10. Francisco José P. Cavalcante | 17/05/2010 - 21:42hs

    Prezado Marcos. Gostei do artigo. Meu pai era de Paulistana. Vocês tem alguma ligação com a família do Coronel Raimundo? Espero resposta.

  11. Raul D. Damasceno | 01/07/2010 - 22:03hs

    Caro Marcos, não sei se somos parentes. Achei seu site por acaso, mas estou feliz por isso. Parabens pelo seu texto. Meu pai assinava Rodrigues Damasceno sendo oriundo da zona da mata de Minas Gerais (cidade de Manhumirim). Não sei muito da historia de minha familia. Sei que minha avo provinha do Ceara. Aqui no Rio, os descendentes dos Rodrigues Damasceno sao bem numerosos. Grande abraco.

 

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