Por Salvador de Castro
Enquanto adolescente e até alguns anos atrás eu não perdia um filme, um seriado ou um desenho animado de super-heróis. Fascinava-me ver aqueles caras colocando em risco a própria vida para defender outras vidas ou um bem estar comum.
Era viciado no Cyber-cop, da antiga TV Manchete e me deliciava em assistir a alguns de seus personagens captando energias extras do espaço e se transformando em robôs dotados de super poderes para defender as pessoas comuns.
Lembro-me que eu cria plenamente ser aquilo somente coisa da ficção, tinha total convicção de que não existiam super-heróis na vida real, pensava que aquele negocio de sacrificar a própria vida ou bem estar em favor de outros não existia de verdade.
Só hoje percebo o quanto eu era ingênuo. Somente agora me dou contas que esses fantásticos seres habitam o meu mundo diariamente. E mais, sou protegido por um deles.
Esse meu super-herói da vida real jamais poupou esforços para me resguardar. Apenas como exemplo disso, relembro suas mais de vinte viagens a São Paulo por minha causa. Sempre que via o meu bem estar ameaçado, ele captava energias extras do seu extraordinário amor pela família e se transformava em um ser destemido. Partia para uma terra distante e desconhecida, a fim de ganhar o meu alimento em um trabalho incerto e perigoso. Lá ele utilizava seus super poderes de pai para sair, de rua em rua e de casa em casa vendendo bilhetes de loterias, desafiando o risco de acidentes e de assaltantes naquela cidade movimentada em nome do seu heroísmo paterno.
E como na ficção, meu super-herói da vida real sempre vencia todas as batalhas. Após cada viagem ele retornava com o objetivo cumprido na bagagem. Meu bem estar por alguns meses estava garantido e a sua alegria também. E eu o retribuía com um abraço e um sorriso, esse era o preço que ele cobrava, o troféu que buscava ganhar pela sua vitoria.
E sempre foi assim, a guerra nunca acabou. Mas, vida de super-herói é assim mesmo, a cada momento surge um novo desafio, um inédito embate sangrento, mais um duelo de vida ou morte. Entretanto, seu amor por mim e a vontade de vencer sempre foram decisivos para sua vitoria em todos os combates.
Como sou apenas um filho comum, não dotado dos super poderes de um pai, queria somente aproveitar a passagem dessa data especial dedicada a você e dizer: muito obrigado pai, por me proteger incondicionalmente, seu heroísmo me motiva diariamente.
Veja meu penúltimo texto: O diálogo dos urubus