Essa é uma versão dos anos 2006 a 2013 do nosso sistema. Algumas versões mobiles podem não se adptar bem.

 

 
 

 
Publicado em 23/04/2009 - 11:02:31  

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O incompreensível homem
 
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Por Salvador de Castro

(Essa crônica não é nova, mas a achei tão boa que quis dividí-la com outros leitores.)

É bem verdade que sei pouquíssimo ou quase nada sobre a vida, sou praticamente um analfabeto, mas sei o suficiente para constatar que muito ainda vou aprender, pois como dizem, “é vivendo que se aprende”. Contudo, queria tanto entender o preconceito, e nisso a vida não parece disposta a me ajudar.

Acho que é porque nem ela entende bem esse negócio. Talvez ela não encontrasse argumentos suficientes para me fazer conhecer os motivos que levam um ser humano a se considerar melhor que outro. Vai ver ela também não consegue compreender as razões pelas quais um cidadão exclui outro dos merecimentos sociais. O que sei é que quanto mais vivo menos consigo ter uma idéia clara sobre isso.

Se bem que eu devia saber tudo sobre esse assunto, pois quando falo de uma sociedade preconceituosa, falo ao mesmo tempo de mim, já que sou parte dela. Como todos os seres humanos, como todos os membros sociais, tenho também preconceito, motivo pelo qual me odeio. Taí um incentivo a mais para que eu queira ficar a par de todas as circunstâncias que cercam o bendito assunto. Quem sabe não é esse o caminho para que eu possa fazer as pazes com minha consciência.

Depois de um tempo refletindo decidi procurar explicações na Bíblia Sagrada, onde contém as histórias da criação do homem. Lá estava escrito que no sexto dia de criação Deus disse: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, e o homem foi feito. Percebe-se, portanto que o criador não citou característica nenhuma do homem que queria, se era preto ou branco, rico ou pobre, bonito ou feio, com ou sem deficiência. Sendo assim, não há dúvidas, somos todos filhos de Deus. Temos os mesmos merecimentos, já que Ele nos entregou o mundo e tudo que criou.

E por que será que um homem se acha melhor que outro?

Concluí que podia ser alguma lei ou coisa desse tipo, criada pelo próprio homem para justificar essa sua atitude. Aí visitei inúmeras legislações e por fim, a Constituição Federal, que é a maior de todas as leis que regem a sociedade brasileira. Nelas, sem exceção, estava escrito que “todos os homens são iguais perante a lei”. Aí foi que eu não entendi mais nada mesmo!

Pensei comigo: ué, se os homens são iguais diante de Deus – o criador – e perante os próprios homens, como é que uns podem se julgar melhores que outros? Será que ser igual é igual a ser melhor ou pior? Quase fico doido (quer dizer, mais ainda).

Aí tive a idéia de escrever isto que ouso a chamar de crônica e publicar nesse portal. Meu objetivo é buscar ajuda.

Eu sei que provavelmente nenhum leitor tenha paciência suficiente para ler esse texto chato até o fim, mas se porventura alguém conseguir essa proeza, e ainda por cima, tiver alguma idéia que justifique essa inumana atitude do ser humano, envie-me um e-mail expondo isso, para que eu possa compreender o preconceito!