Gênesis Naum de Farias
Poeta e Acadêmico da Faculdade de Arqueologia
Universidade Federal do Vale do São Francisco UNIVASF
Campus Serra da Capivara/PI
e-mail: cabarebruxelesco@yahoo.com.br
LARAIA, Roque de Barros, 1932
Cultura: Um conceito antropológico / Roque Laraia de Barros. 15 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2002.
Palavras-Chave: Cultura, Antropologia, História, Epistemologia, Teoria Arqueológica.
O que a cultura se propõe a fazer no contexto da historicidade do Homem que surge integrado a um ambiente que é parte de um tempo cronológico? Qual o conceito de cultura idealizada por uma sociedade cauterizada de valores consumistas, que se propaga a se estabelecer formando uma mentalidade egoística? Como Roque Laraia de Barros conceitua a cultura à luz da antropologia? Em que área científica se debruça a antropologia?
Esses questionamentos partem da natureza da própria ciência antropológica que nos dizeres do prof. Celito Kestering, arqueólogo e professor do curso de arqueologia na Universidade Federal do Vale do São Francisco, é
a ciência que através da análise de semelhanças e diferenças físico-culturais, busca reconhecer e definir a identidade de grupos humanos situados em tempos e espaços determinados.
Nos termos de uma primeira abordagem crítico-social dos conteúdos, o autor do livro Cultura: Um conceito antropológico apresenta um conceito de cultura contextualizado e centrado nas influências que a mesma exerce na diversificada mentalidade do Homem da contemporaneidade.
A priori, o autor centra a discussão conceitual nos fatores que são elencados pelos determinantes biológicos e de natureza adversa.
Porém, o centro de todos os seus argumentos é proposto por dilemas determinados por uma ordem de fatores que colocam o homem e a natureza no mesmo plano. Isto, para perceber que a utilidade do conceito de cultura exerce fator preponderante para a compreensão da diversidade sócio-integrativa das espécies numa diversificada cadeia de elementos que compõe a cultura.
Os dados científicos comprovam que a carga genética dos seres humanos valida sua história pela história cultural de cada um nos grupos humanos. Mesmo determinada pelos fatores da condição social, os indivíduos apresentam variações quanto às diferentes manifestações culturais.
Laraia, autor do livro citado acima, leva o leitor por um passeio pelo centro do próprio Homem, no tocante de suas variações antropocêntricas e de caráter etnocêntrico; onde o conceito de cultura ou das culturas vão tomando um corpo diante do entendimento coletivo, para demonstrar os processos que levavam o homem à socialização dos saberes culturais.
A História, como ciência, é o elo de subjetividade que faz com que se interprete uma gama de conceitos e princípios relativizados pela composição cultural da história da humanidade. O desenvolvimento do conceito de cultura se deu com o amplo processo de imbricação dos valores concebidos pela evolução dos grupos humanos ao longo do processo de aculturação dos saberes, como processo de acumulação, resultante, registrada pelos ancestrais, na condução de seres modelados pelas influências culturais ao longo das primeiras descobertas como seres históricos. O que importa é compreender que a essência deste processo é bem diversificada, pois o conceito de cultura passa por vários processos distintos, inclusive pela hibridização das ciências, até se conceber como fator de permanente influência no comportamento social dos grupos humanos.
Portanto, a cultura pressupõe, ao longo de suas influências seculares, a organização do saber cultural, diretamente ligado às improcedências da personalidade de cada indivíduo, para produzir rupturas no processo de civilidade das organizações multiculturais, permitindo assim, uma adequação estrutural do pensamento e da identidade de um povo dentro de uma concepção aberta e diversificada dos comportamentos sociais.