Essa é uma versão dos anos 2006 a 2013 do nosso sistema. Algumas versões mobiles podem não se adptar bem.

 

 
 

 
Publicado em 17/02/2009 - 11:32:50  

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Quando um burro senta e diz “Alô telespectador!”
 
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Por Marcos Rangel

Meu rádio eu já atirei pela janela, com as peças foras para que não se corra o risco de algum cidadão passar, pegá-lo, escutá-lo e e acabar manipulado. A mídia sãoraimundense, e a mídia em geral, censurou de vez a minha liberdade de receber informações verdadeiras e valiosas, de ter acesso à cultura, à música real, à realidade da minha cidade, do meu estado, do meu país!

É que existe um sujeitinho chamado dinheiro que consegue corromper qualquer individuozinho que mantenha em si um sentimento infeliz chamado de ganância. Estes sujeitos imbuídos de todo o torpe capitalismo, de toda a ânsia de riqueza, de todo o desejo de status, eles me enojam e, de certa forma, tornam-se donos da gente.

Conseguem enfiar um microfone na mão de um qualquer para empurrar qualquer coisinha em nossos ouvidos e nós, complacentemente, dizemos “Amém”, afinal de conta, desde o berço, estes infelizes já nos ensinam a não pensar, para que sejam donos de nossas vidas. Entopem todos os caminhos de consciência que possam existir em nosso cérebro. Não temos Alternativa alguma para podermos descobrir e acessar a boa diferença, a nossa Cultura...sifú! Fazem jus à não existência da capivara do nosso Parque Nacional. Ora, mas que trocadilho mais infame, senhor Marcos Rangel.

Estamos cercados, sim, de vários pilantras, míopes nada inteligentes que não enxergam, sequer, um palmo à sua frente, veja lá outros horizontes distantes, de cultura e boa música. São os donos da cidade, infelizmente. E, propositalmente com meu velho escárnio, digo: é de foder!

Ora, ora, Marcos Rangel, dizendo assim, em público, sem pudor algum, palavrão indecente e vulgar como foder? Onde está o seu respeito às crianças? Às pessoas idosas? Ora, ora, me desculpe, mas é que a última criança que vi, de uns 10 anos de idade, dançava freneticamente o ritmo da Dança do Créu na sala de sua casa em frente aos pais já de certa idade que, naturalmente, lhe permitiam tal manifestação cultural típica do nosso lugar!

Enquanto isso, num bosque qualquer coberto não sei por quantas estrelas tocavam algumas bandinhas (cá entre nós, vagabundas demais, tanto no sentido pejorativo como também de qualidade) que se dizem bandas de “forró”, promovidas, meu caro velho amigo e companheiro deus, pelas nossas benditas rádios comunitárias culturais. E viva, viva a liberdade de expressão. Contemplando tal belo movimento dançante, as pessoas que não se permitem ter o pensamento e o corpo livre. Por trás dessas bandas, os grandes empresários tubarões que querem pegar as meninas por aí e comer facilmente disfarçados em gritos de guerra “Forró não sei qual porra” ou então “Kalypsooooooooooo”!

Veja bem e não me leve a mal, palavrões tão comum nessa velha crônica quase inútil não a faz vulgar e pejorativa. É meu leve escárnio em cima dessas bandas donas de músicas que pronunciam tantas barbaridades e as pessoas as tem tomado como “normais e comuns”. Mas eu lhe cumprimento mesmo assim: venha aqui, garota safada, pegue na minha (mão) e balance.

Não tô perdido, mas eu dancei. “Dancei, sei que dancei, dancei meu bem, mas vem que ainda tem”. Na televisão, deveriam falar no final de cada programa a despedida “Nos vemos amanhã, nessa mesma hora, nessa mesma posição, nessa mesma putaria neste mesmo canal”. Vem Globo, SBT e companhia me mostrar o que de mais burro vocês tem a me oferecer, que eu sei o que dizer.

Não adianta tentar negar ou se defender, mas extraviaram e continuam extraviando a nossa sociedade inteira, tornando-a ignorante, sem a capacidade de pensar e discernir, pois, caso não fizessem isso, qualquer um não engoliria este misto de sapo e orgasmo dessa masturbação eterna de nossos meios de comunicação.

O mais cínico é me incriminarem de ouvir drogados e “pervertidos”. Ora, quanta falta de vergonha, quanto cinismo. “(...)Quem odeia rock'n roll, mas gosta de um rebolado(...)O reino dos céus é do chato, do chato e do chato, do otário e do cagão(...)” (Cazuza, Não há perdão para o chato).

E assim caminha a humanidade: cagando e andando. E quem quiser, que tape o nariz ou diga amém...