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Publicado em 27/01/2009 - 18:15:14  

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Resenha Arqueológica: Um Diálogo entre Arqueologia Histórica, Memória e Preservação.
 
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Gênesis Naum de Farias

Poeta e Acadêmico da Faculdade de Arqueologia

Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF

Campus Serra da Capivara/PI

e-mail: cabarebruxelesco@yahoo.com.br






ALBUQUERQUE, Marcos de. “Arqueologia, História, Arquitetura e Restauração”. /CLIO: Série Arqueológica, nº. 1 / Universidade Federal de Pernambuco, Recife, UFPE. 1984. Ilust. Pág. 131 – 151.

Palavras-Chave: Arqueologia, Preservação Patrimonial, Memória, Teoria Arqueológica.


Para se entender, ou buscando elucidar a memória histórica da evolução humana no contexto do desenvolvimento das sociedades, Marcos Albuquerque no seu artigo Arqueologia Histórica, Arquitetura e Restauração, publicado pela Revista Clio do núcleo de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco, vem ressaltar a necessidade de uma discussão prévia quanto ao modo de se incorporar à preocupação da preservação do Patrimônio ao estudo e documentação textual dos estudos Arqueológicos.

O autor do texto converge todas as divergências para os objetivos arqueológicos, da Memória Histórica e da Preservação, para uma contextualização arqueológica da memória coletiva inserida na herança cultural da humanidade como definição do meio físico do homem em sua Sociedade; ao tempo em que confronta os objetivos arqueológicos com os objetivos dos restauradores, fazendo uma ponte pelo objeto de estudo dos arqueólogos frente a necessidade de se desenvolver mais apuradamente, às necessidades técnicas de restauração e contextualização do objetivo central dos estudos de uma pesquisa arqueológica.

Ao se estender a Arqueologia Histórica mesclando-a com a Arquitetura e a Restauração de monumentos em cidades como Olinda, que foi o alvo da pesquisa, Recife, Salvador, Ouro Preto e tantas outras cidades, pode-se observar a complexidade e a importância da Arqueologia como ciência que irá estudar a interação do homem com a sociedade a qual participa, integrando o saber cultural coletivo ao saber material de forma a produzir mudanças profundas na estrutura social de uma época; marcando o seu tempo com a resistência de um conhecimento em contínuo avanço, que será alvo de estudos na posteridade pelo conjunto de manifestações que formam e formarão a identidade cultural de um passado, que emerge para ser estudado e preservado como patrimônio cultural, histórico e social do avanço pelo desenvolvimento pessoal e coletivo do homem na ação do passado e do presente.

Nesta ação, a Arquitetura é posta como o testemunho da integração do ambiente e suas oscilações, com o pensamento de uma sociedade que é parte desta evolução no tempo cronológico. Na verdade, o homem vive o seu processo cronológico, integrado ao ambiente que habita ou irá habitar, provocando mudanças na sua diversidade.

Nesta abordagem, o produto de uma pesquisa arqueológica, necessariamente se relaciona com o estudo e o entendimento da sociedade em observação, quer seja no presente ou no passado, para definir o que transcende diante dos aspectos científicos proferidos pela visão interdisciplinar da Arqueologia com ciência que estuda a relação de uma sociedade com outras, a partir dos vestígios deixados. Isso tem contribuído para o reconhecimento da Arqueologia Histórica pelos estudiosos que se preocupam com a Pré-História no Brasil, sendo reservado um espaço considerável na apresentação, participação e definição de projetos de restauração auxiliados por um projeto prévio de Arqueologia Histórica. Isso acarreta uma participação considerável dos arqueólogos no espaço dos restauradores, orientados geralmente por arquitetos que detém amplos conhecimentos em História da Arte, de forma ampliada e diversificada. Essa parceria, que se deu no início dos anos setenta, obteve resultados muito contundentes, servindo para apresentar de forma efetiva o papel e os resultados obtidos por uma pesquisa arqueológica num processo de restauração de um monumento.

Portanto, o texto em estudo serve para elucidar a importância da afirmação da Arqueologia Histórica nos trabalhos de Restauração de Monumentos; ressaltando os aspectos de sua prática na resolução dos dados coletados na pesquisa, incluindo os limites, as divergências e os objetivos da prática arqueológica nos limites de outras ciências para se estabelecer às interfaces do conhecimento dos estudos científicos com os monumentos restaurados, numa avaliação precisa da história das sociedades passadas, em estudo pela parceria entre a Arquitetura, que detinha tradicionalmente à função de restaurar, com a Arqueologia, para determinar, sobretudo a função científica e arquitetônica dos monumentos históricos restaurados, para serem devolvidos às sociedades da contemporaneidade com toda a recapitulação do pensamento daquela sociedade, expresso neste ou naquele monumento histórico estudado e mapeado pela Arqueologia Histórica dentro de uma abordagem de preservação do saber cultural de tempo em tempo.