Gênesis Naum de Farias
Poeta e Acadêmico da Faculdade de Arqueologia
Universidade Federal do Vale do São Francisco UNIVASF
Campus Serra da Capivara/PI
e-mail: cabarebruxelesco@yahoo.com.br
Primeiro os homens sentem sem aperceber-se; depois se apercebem com o animo perturbado e emocionado; finalmente refletem com a mente pura.
Giambattista Vico
Filósofo Italiano
No contexto do mundo globalizado, as relações humanas cedem espaço para a especulação desenfreada do capital; pois fatores como o consumo e o próprio desenvolvimento sustentável favorecem desequilíbrios tanto sociais quanto econômicos e ecológicos. No entanto, o homem moderno fomenta sua espiritualidade criativa idealizando-se num futuro de esperanças.
Estatísticas comprovam que a expectativa de vida teve um aumento setorizado, em função dos desdobramentos políticos e dos investimentos na questão do bem-estar; sendo uma problemática bastante contundente quando o foco é o desgaste planetário em sua matéria prima.
O homem moderno tende a não se preocupar com o próprio futuro, e deixa de perceber-se como elemento desta fusão complexa entre meio ambiente e progresso.
Somente uma ação coordenada por uma ampla reflexão poderá fazer a espécie humana contornar a situação exposta; onde o caos tende a prevalecer, fortalecendo os laços entre o capital especulativo das modernas economias e o sentido do ter. Se em meio ao criativo sonho do futuro a humanidade não perceber suas potencialidades, as incertezas vetarão a vida presente em cada ser humano que compõe o hiper-texto da globalidade terrestre.
A educação e suas fronteiras surgem nesta discussão para aclarar os sentidos dessa globalidade de fatos que conduzem a humanidade para o avanço, tendo como ferramenta primordial à promoção social e a equidade humana.
No Brasil a educação um dia terá que ser prioridade, pois do contrário continuaremos submissos de uma globalização que excluem as populações mais pobres e as impede de sonharem com a prosperidade e o bem comum. Pensar num investimento mais ampliado nos processos educativos como prioridade de estado seria dá oportunidade a um país como este de se tornar uma nação mais justa para todos, legando para as sociedades uma política seria de educação que cruzaria fronteiras e daria visibilidade a uma nação emergente e a margem do processo de inclusão.
Os dilemas da educação brasileira podem ser vencidos se todos os envolvidos com a formação da construção do pensamento da sociedade contemporânea se comprometer com os desafios que o dia-a-dia da vida escolar impõe no processo das aprendizagens. A escola precisa ser vista novamente como a peça fundamental neste universo de coisas, onde o desenvolvimento sustentável clama por fomentar nos educadores uma formação mais multicultural, plural e autônoma. A autonomia seria a ferramenta que proporcionaria uma nova imagem, tanto para os educadores como para os educandos.
O educador precisa pensar neste investimento social com o compromisso político de que seu trabalho como formador de formadores será responsável pelo futuro desta mesma sociedade, onde suas ações serão os reflexos de outros padrões, e a formação continuada contribuirá para tanto, quando o discurso educacional transpor as fronteiras do discurso do capital e se tornar real e plural, dando a escola uma filosofia do diálogo que retome e perceba as competências do educando como os elementos viáveis para uma pedagogia radical que tenha no diálogo os elementos dialéticos para se construir uma nova escola e um novo olhar para as percepções da classe trabalhadora, visto que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira fomenta um currículo integrado, mediador e fomentador de uma inserção desses educandos no mundo do trabalho.
Para tanto, é preciso formar cidadãos capazes de pensarem o futuro em na sua totalidade; é preciso formar criticamente para se obter jovens saudáveis e com o futuro em suas mãos, tendo o compromisso político de que é no presente que tudo acontece e a todos pertence, e que o Brasil precisará de pessoas críticas para conseguir suplantar as misérias, vencer a fome e promover a igualdade social com equidade, justeza e inclusão.
É preciso formar para a vida. E a escola deve ser o canal de redefinição deste projeto, bastando para tanto que nossos educadores sejam capazes de um comprometimento serio na tentativa complexa de redefinirem o universo escolar como a grande escola que forma uma intelectualidade na organicidade de um conhecimento objetivo e prático. Aos educadores deste início de milênio fica a incumbência de uma nova prática pedagógica; àquela que desafiará o sistema e promoverá com sutileza a derrocada dos discursos conservadores para formar uma massa de educandos competitivos, abertos e livres de todo preconceito social aos quais tem sido formada a educação brasileira.
Portanto, às sociedades deverão precisar suas ações no âmbito de um novo tempo, para vencerem preconceitos e desafiarem o destino, e como disse um filosofo antigo,
É preciso desafiar a terra e a pedra lançada no caminho, séculos atrás, pelo criador.