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Publicado em
14/01/2009 - 19:03:18
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Maneiras de como salvar a Terra
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Não quero carregar um peso na consciência de que não fiz ou não faço nada para poder preservar o Planeta. O que eu costumava fazer era o básico, e ainda faço: economizar água, utilizar menos utensílios descartáveis, principalmente sacolas, não poluo os rios, ruas e tudo mais. Mas só isso não bastava. SÓ ISSO NÃO BASTA! Colocar no meu perfil do Orkut (isso virou uma moda, que só vendo!) fotos de africanos magérrimos passando fome e expondo toda a sua miséria, como muitos fizeram, sem tomar nenhuma atitude, também não serve.
Foi então que, através de dois ótimos documentários (Não Matarás e A Carne É Fraca, ambos produzidos pelo Instituto Nina Rosa), abri os olhos e tomei uma decisão que tem me deixado de bem com a vida: me tornei vegetariano! Isso mesmo, vegetariano. Você deve estar se perguntando: Ora, mas o que tem a ver comer carne com a salvação do planeta? Simples: a produção de carne, por mais que isso pareça exagero ou inacreditável, mas, inevitavelmente, é a verdade, é um dos principais fatores que causam um grande impacto ambiental no planeta.
Para quem não sabe, a fome no mundo, a poluição das águas, o efeito estufa, o desmatamento, todos estes grandes males da Terra estão ligados à produção da carne, e isso é indiscutível.
A produção mundial de carne, nos últimos 7 anos, dobrou: hoje produzimos cerca de 250 milhões de toneladas de carne por ano, exigindo cada vez mais água e área para se realizar esta produção.
Você desmata uma grande parte de uma floresta, dez mil hectares, digamos, para criar pastagens para criação de gado, que será utilizado para o abate e a produção da carne. Esse desmatamento é feito da maneira mais econômica: queimando. Com as queimadas, você emite Dióxido de Carbono que atinge a atmosfera e produz o efeito estufa que, por sua vez, está causando grandes prejuízos pelo planeta: em lugares chove demais, matando milhões de pessoas (Santa Catarina está aí como grande prova recente), em outros lugares não chove de forma alguma, dizimando plantas, animais e pessoas, calotas polares derretendo, aumentando, de forma assustadora, o nível dos mares. Só as queimadas para pastagens produzem em torno de 200 milhões de toneladas de Dióxido de Carbono, intensificando o efeito estufa. Então, junte todo o gás carbônico produzido pelas queimadas com os demais gases poluentes emitidos para a atmosfera. Um grande dano, não?
Observando os dados, Santa Catarina possui uma população humana de 5 milhões de pessoas. Já a população de suínos ultrapassa 45 milhões. Nisso nós já podemos perceber o quanto consumimos de maneira desordenada, e favorecemos o desperdício dos recursos hídricos do planeta para uma produção desnecessária que não trará retorno para a Terra, pois a água gasta, a mata queimada, o solo danificado, a Amazônia destruída, o Cerrado, a Mata Atlântica e a Caatinga, biomas destruídos pelo desmatamento para produção de carne, nada disso será reposto, pois o preço deles não está incluído no quilo de carne que você compra nem na carne que é exportada.
Já a Amazônia possui 22 milhões de habitantes e 35 milhões de cabeças de gado. Mais desperdício de recursos naturais que não terão retorno algum. Isso porque, para se ter um exemplo, quando se vai produzir 1kg de carne bovina, você gasta em média algo mais de 15 mil litros d'água, enquanto que para se produzir 1kg de cereal, gasta-se em torno de 1.300 litros, de acordo com relatório da UNESCO no Fórum Social Mundial sobre a água.
Mais danos apenas aos recursos hídricos causados pela produção de carne: nos grandes criatórios de avícolas, suínos, bovinos, etc., utiliza-se grandes quantidades de hormônios para que eles cresçam e se desenvolvam rapidamente para o consumo, e também medicamentos, como antibióticos, para que ganhem resistência contra as doenças causadas pelo ambiente em que vivem. Estes antibióticos, estes hormônios, eles não ficam para sempre no organismo do animal, você o consome ao comer sua carne. E antes do abate, o animal evacua toda esta química, que infiltra nos lençóis freáticos e aqüíferos subterrâneos. Só os porcos evacuam 7 a 8 vezes mais do que um ser humano por dia. No mar chegam 100 milhões de toneladas de nutrientes por ano, e em Santa Catarina, os rios estão poluídos em mais de 90%. No mundo, 10 mil pessoas morrem por conta de doenças contraídas pelo consumo de águas poluídas por estes dejetos. Um preço mais do que injusto, e ainda questionam a certeza dos malefícios causados pela carne.
A água potável do planeta, como todos sabem, não ultrapassa 3% de todo o recurso hídrico do planeta, e esta produção de carne vem desperdiçando incontáveis litros d'água que poderiam estar matando a sede de diversas pessoas no mundo, resolvendo diversos problemas na Terra. Daqui há algum tempo, não será mais possível produzir alimento algum, nem mesmo a carne, para a população, porque não haverá mais água suficiente para isso.
Para se ter uma idéia da gravidade do problema, a Dinamarca e a Alemanha do Norte proibiram instalações de produção de suínos por ser impossível de lidar com as conseqüências causadas por esta produção. E, pra completar, os relatórios da ONU afirmam que se todas as pessoas do mundo consumissem carne como os norte-americanos, os europeus ou os japoneses, precisaríamos de mais dois ou três planetas como a Terra para que fosse possível produzir toda esta carne.
O dinheiro que é gasto na agropecuária é um dinheiro desperdiçado, que poderia ser utilizado em outras formas de produção alternativas, já que o agronegócio, há anos, mostrou-se ineficiente na questão de emprego, renda e participação no PIB. Em 1964, o Brasil possuía 1% do comércio exterior do mundo em produção de carne. Quarenta anos depois, mesmo com todos os subsídios e incentivos dos governos, ele continua tendo 1% do comércio exterior do mundo, isso porque os preços são controlados lá fora. Entre 1992 e 2002, três milhões de empregos foram fechados no ramo do agronegócio. Quem gera emprego e renda não é a agropecuária, e sim a agricultura familiar. Além do mais, quem responde por 70% do abastecimento alimentar interno do Brasil é a agricultura familiar, pois o agronegócio é apenas para exportação.
Existem maneiras alternativas de se obter renda, emprego e grande participação no PIB (Produto Interno Bruto) com um impacto ambiental extremamente reduzido em comparação à produção de carne. Teríamos que reduzir esta produção, focar em outras produtividades ecologicamente e economicamente viáveis. Contudo, o nosso sistema econômico capitalista não permite isso, pois ele quer cada vez mais acumular dinheiro, cada vez mais lucro, fazendo isto às custas de tudo, qualquer um e qualquer coisa. Então, falamos tanto em sustentabilidade, porém, praticamos a insustentabilidade.
E mesmo que a produção de carne não causasse todos esses males, é injusto tirar a vida de um animal para satisfazer a vaidade humana. E, por mais que digam que carregamos esse hábito pré-histórico como herança, não justifica nada, pois os pré-históricos não tinham o nível de conhecimento e tecnológico que temos hoje. O pré-histórico não sabia cultivar, selecionar grãos, frutos, cozinhar como nós sabemos hoje. E agora, nós temos uma diversidade de opções de alimentos que substituem facilmente a carne. E por mais que os indígenas soubessem plantar e cultivar já que aprendemos com eles estes hábitos culturais , eles não tinham nem pensavam em ter grandes indústrias de produção de carne, não mantinham a escravidão animal nem cometiam o seu massacre em grande escala como cometemos hoje por ambição e capitalismo. Consumiam apenas o necessário, sem desperdícios e nenhum impacto ambiental, ao contrário dos dias de hoje. Também não adianta justificar que lutamos contra a escravidão animal, se nas produções de soja, frutos, etc. há o trabalho escravo do ser humano. Uma desgraça não justifica nem substitui a outra. Temos que brigar pelo fim de ambas.
Não podemos ficar em casa de braços cruzados dormindo na poltrona com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar, e tomar estes hábitos banais como inofensivos, sabendo que os mesmos têm um impacto maléfico contra nós mesmos. Cada um de nós pode ser um ativista que lute pela sustentabilidade do Planeta. Experimente ficar dois dias sem beber um como d'água sequer. Desesperador, não? Imagine agora seus filhos e netos nas próximas gerações não encontrando água potável em lugar algum para que possam sobreviver, porque todo o reservatório de água doce do planeta acabou e há anos não vê-se uma gota de chuva sequer, porque o meio-ambiente está todo alterado, de cabeça para baixo. E sem água, ninguém vive, não se produz alimento algum. Nem mesmo a carne.
Entendamos: somente uma espécie pode salvar todas as outras: NÓS. Se nós não cuidarmos do Planeta, se não procurarmos protegê-lo e mudar esta situação que vivemos, ele vai se defender da sua maneira, como já vem acontecendo nestas últimas décadas.
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Acessem os sites www.greenpeace.org.br / www.pea.org.br / www.wwf.org.br / www.institutover.org.br / www.oneearth.org e seja um ativista pelo bem dos animais e do planeta. Caso queira assistir os documentários Não matarás e A Carne É Fraca ou deseja participar de alguma palestra sobre consumo consciente e defesa do animal, é só entrar em contato comigo pelo rangelsrn@hotmail.com que, com muito prazer e alegria, estarei lhe ajudando.
Marcos Rangel¹³
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