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Publicado em 20/12/2008 - 18:32:23  

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A Crise da Crítica
 
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Gênesis Naum de Farias

Poeta e Acadêmico da Faculdade de Arqueologia

Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF

Campus Serra da Capivara/PI

e-mail: cabarebruxelesco@yahoo.com.br




“Uma vanguarda velha e

esclerosada é pior que uma retaguarda.”

Vladimir Lênin,

Líder da Revolução Russa


Há exatos cem anos, no mês de Novembro, morria num pardieiro parisiense um dos maiores contestadores da história da literatura britânica; era também avesso a toda forma de crítica. Ele se chamava: Oscar Wilde. Personagem mais biografado no mundo intelectual. E como intelectual, sempre foi usado pela crítica, tirando proveito da mesma, para satirizar e escandalizar a sociedade burguesa da sua época. Preço que lhe valeu a liberdade.

Escolho esse tema, por achar necessário retomar os conceitos de individualidade coletiva do homem em sociedade a partir de uma ética planetária. Tenho a preocupação de observar a escrita como um órgão social capaz de transformar a sociedade, principalmente tendo a concepção da continuidade e da preservação da alteridade. A partir dessa tentativa de mudança de percepção, a forma de “intertextualização” da escrita básica, buscará priorizar ao indivíduo uma abertura continuada de sua formação intelectual. Não no sentido de atender às exigências dos supostos “intelectuais” da nossa região. Intelectuais estes, presos a formas e conceitos, ultrapassados na forma de ver o mundo na dimensão sempre crescente da transformação.

Então, muitas vezes o escritor mais experenciado, ou os membros de determinada organização social (formadora de opinião) não acreditam no potencial dos novos artistas que por eles estão sendo formados, porque simplesmente estão presos aos “jargões” de uma instituição “ultrapassada” que serve apenas para ostentar a vaidade do ser humano.

Enfim, todos nós somos culpados nesta história, pois muitas vezes deixamos de acreditar em valores que estão bem próximos para laurear personagens idiotas que acham que sabem tudo, e têm vivência suficiente para criticar e questionar quem quer que seja que não comungue com suas idéias, formas e conceitos. Muitas vezes esquecemos pessoas que fazem arte no Grande Vale, porque simplesmente “santo de casa não faz milagre” e, passamos a creditar honrosas atenções a quem está por estas paragens só de passagem e que muitas vezes foi no Vale do São Francisco que encontraram outros tantos idiotas para de sua atenção cortejar, porque lá para as bandas do litoral não há mais ninguém que tenha paciência para escutar os saberes de uma “intelectualidade barata e preconceituosa”.

Estamos a caminho de conquistar definitivamente todos os direitos que nos cabem, pois já estamos no séc. XXI e mudar essa visão medíocre de se proceder a uma crítica retaliativa e institucional é fazer do direito adquirido de expressão dos outros, o bem estar do conjunto. E quando me refiro ao conjunto, escrevo pensando no respeito às pessoas, nas pessoas que elas são, e não nas ações de suas personalidades. Essa mudança de conceito tende a atender às exigências do mercado cultural que é responsável pela formação dos conceitos simbólicos, fruto da deficiência cultural a qual esse indivíduo é submetido diariamente. Negar o direito de expressão é interromper o processo formativo das ações dessa personalidade jovem que trilha o mesmo caminho porque trilharam os maiores criadores das literaturas estudadas na contemporaneidade.

A crítica deve ser vista e analisada sociologicamente no sentido de trazer a problemática para o âmbito da discussão, trazendo assim o problema à sociedade de forma a torná-lo público-social, e não tecendo comentários “desconstrutivistas” num pequeno grupo de pensantes, porque isso não constrói o cidadão de forma ética nem moral. Também não podemos fugir da caracterização da crítica, que é analisar o processo formativo desse indivíduo como um processo histórico, existencial, social, cultural e de natureza contraditória. Termino, com a mensagem eterna, sábia e afrodisíaca do saudoso Oscar Wilde: “Quando os críticos estão em desacordo, o artista está em acordo consigo mesmo”.