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Publicado em 12/11/2008 - 16:49:11  

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Adutora já beneficia 12 mil famílias na região de SRN
 
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Cerca de 12 mil famílias da região de São Raimundo Nonato (525km ao sul de Teresina) serão beneficiadas pela adutora do Garrincho, obra que desde maio já transforma a realidade na região mais seca do Piauí, consolidando um dos maiores investimentos já feitos no setor hídrico do estado.

A primeira etapa do projeto foi inaugurada pelo governador Wellington Dias e pelo secretário estadual do Meio Ambiente no dia 10 de maio deste ano, contemplando inicialmente as populações de São Raimundo Nonato, São Lourenço, Coronel José Dias e Dirceu Arcoverde.

“Estas cidades foram beneficiadas na primeira fase porque estão mais próximas da barragem Petrônio Portela”, explicou Macambira, acrescentando que a barragem tem capacidade para 181 milhões de metros cúbicos.



Em São Raimundo Nonato, o reservatório tem capacidade para acumular 670 mil litros de água. Somados ao da Agespisa, com capacidade para acumular 500 mil litros, colocará à disposição da população mais de 1 milhão de litros de água de boa qualidade para abastecimento humano. “A Agespisa ficará responsável pela distribuição do produto para os consumidores”, complementa o secretário.

Além dos nove municípios atendidos diretamente pela adutora, o projeto contempla dois sistemas independentes – nos municípios de Fatura e Caracol.

Em Fartura, a água será captada de açude com capacidade para 5 milhões de metros cúbicos. Em seguida, passará por mini-estação de tratamento e será distribuída para a comunidade.
Em Caracol, a captação será feita por meio da perfuração de poços, com distribuição pelo mesmo sistema.

“A água é um benefício transformador, é sinônimo de cidadania e de desenvolvimento econômico”, afirma o governador Wellington Dias.

Segundo ele, o sistema beneficia uma região de grande potencial turístico, onde estão situados os parques nacionais da Serra da Capivara e das Confusões. “Sem água tratada, de qualidade, dificilmente contaríamos com ampliação da demanda turística”, pontifica Dias.

“TRANSFORMAÇÃO DA REALIDADE”

O coordenador regional do DNOCS, José Gonçalves, também está animado com as perspectivas geradas pela construção da adutora. “Estaremos resolvendo um problema de abastecimento humano, mas também estaremos contribuindo para a transformação da realidade social e econômica da região, porque a água vai propiciar um impulso muito grande nos negócios e no turismo”, enfatiza.



O DNOCS é responsável pelo acompanhamento técnico na execução da obra. Macambira explica que a distribuição da água será feita pela Agespisa com a colocação de hidrômetros. “Tratamento e canalização têm custos”, complementa.

A mudança no cotidiano da população é sentida de imediato. Para que se tenha idéia, em São Raimundo Nonato não havia água tratada em 40% das residências. “Quase metade”, diz o secretário. “Além disso, a água anteriormente distribuída tinha um teor muito grande de ferro.”

Ele afirma que a população chegou a estranhar o gosto do líquido a partir do novo sistema.

Adutora deve percorrer 196km para atender 60 mil pessoas

Numa região marcada secularmente pela seca, um colosso de aproximadamente 196 quilômetros de extensão promete levar água para a grande maioria da população urbana de 11 municípios. A adutora foi idealizada em 1983, nos estertores do regime militar, e deveria ser construída juntamente com a barragem Petrônio Portella, mas a construção demorou mais de uma década para acontecer.

O projeto ficou parado no tempo, esperando melhor oportunidade, o que só veio a ocorrer há cerca de dois anos, no final do primeiro governo de Wellington Dias. O secretário de Meio Ambiente, Dalton Macambira, é um dos responsáveis pela sua concretização.
“O problema da região não é falta d’água. É de aproveitamento da água existente”, ressalta o secretário. “Nunca antes houve qualquer preocupação com o aproveitamento dos recursos existentes. Tenho consciência de que andamos pouco, porque há muito a se fazer, mas pelo menos estamos fazendo alguma coisa.”

Segundo ele, o reservatório da barragem de Petrônio Portella armazena água suficiente para atender toda a população existente no entorno. “Agora o líquido sai do armazenamento direto para as estações de tratamento e daí para as torneiras das residências”, complementa.

A construção da adutora faz parte do Projeto Proágua/Semi-árido, executado pelo Ministério da Integração Nacional, com custo de R$ 37,2 milhões. O governo federal entra com R$ 29,7 milhões oriundos em recursos do Banco Mundial. Ao governo do estado cabe uma contrapartida de 20%, equivalente a R$ 7,4 milhões.

O propósito é atender 60 mil habitantes nos municípios de Coronel José Dias, São Raimundo Nonato, São Lourenço, Dirceu Arcoverde, Bonfim do Piauí, Várzea Branca, Anísio de Abreu, Jurema e São Braz do Piauí, além de Caracol e Fartura, que serão atendidos por sistemas independentes.

O projeto conta com nove estações elevatórias e 15 reservatórios com capacidade total de 3.455 metros cúbicos.
Já estão em funcionamento os trechos que permitem o abastecimento adequado das cidades de São Raimundo Nonato, Coronel José Dias, São Lourenço e Dirceu Arcoverde, o que corresponde a cerca de 70% da população alvo do projeto. A operação do Sistema Adutor está a cargo da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí).

VÁRZEA BRANCA
Em Várzea Branca, localizada a 561 quilômetros de Teresina, uma das cidades beneficiadas pelo projeto, conseguir água para beber é quase um milagre. O município tem um dos menores índices de chuvas do território (por ano, chove apenas 500 milímetros).

Na zona urbana, a cobertura de abastecimento d’água é mínima. A consequência é que as pessoas se desdobram como podem para ter acesso ao líquido precioso.

“Nas épocas de seca mais intensa, a gente costuma cavar um buraco no chão e ir aprofundando até chegar na água. São verdadeiros túneis, galerias, o sofrimento maior que se possa imaginar”, afirma, emocionado, o agricultor José Francisco da Silva, 56 anos.

Os túneis ainda existem como marco de um tempo que todos querem deixar para trás. Seu Francisco aponta a canalização gigantesca e bendiz a obra humana “que complementa a ação da natureza”. Com mulher e cinco filhos, ele conhece a importância de ver a água chegar em sua casa.

“Não podíamos continuar nos lamentando, tratando nossa posição geográfica como um infortúnio”, afirma Dalton Macambira. “Temos água em abundância, nos faltavam os meios para aproveitá-la. Agora, a realidade é outra".

REPÓRTER: Toni Rodrigues