Diva Maria Freire Figueiredo
Representando o Exmo Ministro de Estado da Cultura, Juca Ferreira e o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Luiz Fernando de Almeida, cumprimento o Exmo Senhor Governador, Wellington Dias e, em seu nome, os demais membros desta mesa; Faço também um cumprimento especial à Dra. Niède Guidon, em nome de quem estendo meus cumprimentos aos demais presentes nesta solenidade que comemora uma década de existência do Museu do Homem Americano.
Primeiramente, gostaria de observar que comemoramos aqui hoje, na verdade, mais 10 anos do incansável trabalho da Dra. Niède Guidon. Este foi iniciado tem mais de 3o anos, à frente da equipe de pesquisadores e técnicos que integram a Fundação Museu do Homem Americano - FUMDHAM, desenvolvendo inúmeras ações no campo da preservação e da investigação científica acerca do valioso patrimônio arqueológico da região sudeste do Piauí.
Foi este trabalho realizado com tanto afinco e persistência por todos que integram a equipe da FUMDHAM, que nos permite considerar o patrimônio arqueológico piauiense um dos mais antigos do Brasil, representado por inúmeros e diversificados sítios, distribuídos por todo o território do Estado. Contudo, concentra-se a maioria conhecida até hoje nesta região onde atua esta organização, o que reitera a importância das suas ações tanto na pesquisa científica quanto na conservação dos inúmeros vestígios das populações que aqui viveram num passado remoto.
Nas regiões da Serra da Capivara e Serra das Confusões já existem mais de mil sítios cadastrados, o que nos permite estimar que o número de sítios arqueológicos do Estado ultrapasse os três mil.
No Piauí encontra-se uma variedade de sítios arqueológicos tais como os cemitérios, onde são encontradas ossadas e urnas cerâmicas usadas nos enterramentos indígenas; os sítios cerâmicos com material cerâmico inteiro ou fragmentado; as oficinas líticas em locais de realização do lascamento dos instrumentos de pedra; as aldeias indígenas; os sítios sobre dunas, com ocorrência de material lítico, cerâmico; e os mais legíveis pelos leigos que são os sítios de pinturas e gravuras rupestres.
As pesquisas realizadas pela equipe que integra a FUMDHAM agregaram ainda mais valor a esse patrimônio arqueológico, pois alteraram as teorias sobre o povoamento do continente americano. Os resultados das escavações no Parque Nacional da Serra da Capivara anteciparam em dezenas de milênios a data de chegada dos primeiros homens à América assim como investigações mais recentes têm sinalizado para datações muito mais antigas do que se tem admitido até hoje também para as pinturas rupestres.
Além destas questões de grande relevância para a ciência, a variedade, a grande quantidade dos registros rupestres existentes no Piauí e o caráter figurativo de muitos deles nos informam sobre aspectos materiais e imateriais da vida cotidiana das populações que os legaram. Este valioso patrimônio cultural conta a história daqueles que seriam os primeiros piauienses.
As descobertas de uma ocupação tão antiga no sertão brasileiro torna indispensável a conservação dos sítios arqueológicos ainda não estudados a fim de viabilizar futuras pesquisas que possibilitem a compreensão das rotas migratórias utilizadas pelos primeiros homens a chegar ao sudeste do Piauí, questão de interesse tanto dos pesquisadores brasileiros quanto de todos os que estudam o povoamento do continente americano.
Para garantir a proteção desses sítios ainda não estudados, a legislação brasileira ampara todos os bens arqueológicos, mesmo aqueles ainda não identificados e cadastrados junto ao IPHAN através de uma legislação específica que os protege de destruição.
Além dessa proteção legal específica, temos também o tombamento, como ocorreu com o Parque Nacional da Serra da Capivara, inscrito no Livro de Tombo do Patrimônio Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico do IPHAN em 1993, passando a ser considerado Patrimônio Nacional Brasileiro. Este reconhecimento pelo tombamento do Parque se deu dois anos após ter sido inscrito como Patrimônio Cultural da Humanidade na lista da UNESCO.
Cerca de 14 mil sítios arqueológicos já foram identificados pelo Iphan, entretanto, devido ao amparo legal promovido pela legislação brasileira, apenas sete são tombados, sendo os mais de novecentos sítios do Parque Nacional Serra da Capivara o conjunto maior e mais expressivo.
O Parque Nacional Serra da Capivara, sendo patrimônio tombado em nível nacional e mundial, demanda uma constante atuação do IPHAN e da FUMDHAM para a conservação dos sítios e das estruturas de visitação.
Em 2006 foi alvo de um projeto de acessibilidade, onde quinze sítios foram adaptados ao ingresso de pessoas com dificuldade de locomoção. Tal ação demonstra uma preocupação das instituições governamentais e da FUMDHAM com a democratização ao acesso e socialização do patrimônio cultural.
Um sítio estruturado para o turismo, também se reverte em um excelente instrumento de educação patrimonial, pois é impossível se proteger o que não se conhece. A proteção tem como pressuposto o conhecimento.
A educação patrimonial é outra ação conjunta entre IPHAN, através do seu Escritório Técnico de São Raimundo Nonato e a FUMDHAM, além dos vários projetos, objetos de convênios com o Ministério da Cultura, que têm permitido realizar atividades que visam socializar o patrimônio arqueológico.
Promover a valorização destes bens culturais concretiza o reconhecimento de que todos os grupos sociais possuem riquezas na forma de tradições, artesanato, música, dança, etc. No caso dos nossos antepassados mais antigos, seu legado é formado por registros realizados nas paredes de pedras e nos vestígios da cultura material que hoje encontramos sob o solo.
Daí, a importância de promover a aproximação das comunidades vizinhas aos sítios arqueológicos, de informá-la sobre o valor do patrimônio como uma tarefa constante, transmitida principalmente às crianças, através dos professores de escolas de ensino fundamental e médio, que podem se converter nos principais multiplicadores das idéias de preservação dos bens culturais.
Mas também este trabalho só é possível pela excelente infra-estrutura que o Parque Nacional Serra da Capivara oferece, além da constante atualização do acervo do Museu do Homem Americano, cujos créditos pertencem à FUMDHAM, sem desmerecer as inúmeras instituições e empresas que a têm apoiado nesta produtiva atuação.
Portanto, temos muito a comemorar e parabenizar a todos que fazem da FUMDHAM uma entidade que presta relevantes serviços ao cidadão brasileiro e do mundo.