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Publicado em
07/11/2008 - 15:02:07
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TAXA DE MORTES POR ACIDENTES DE TRÂNSITO NO PIAUÍ ATINGE 24% E É UMA DAS MAIORES DO BRASIL
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A taxa de acidentes de trânsito no Piauí é uma das maiores do Brasil. Em 2006, foram registrados 685, o que representa uma taxa padronizada de 24 por acidentes de transporte terrestre tomando como base a população piauiense de 3.036.271 habitantes. Os dados são da Pesquisa Saúde Brasil 2007, divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, em entrevista.
No Brasil, os Acidentes de Transporte Terrestre (ATT) ocupam a segunda posição entre as mortes por causas externas, sendo ultrapassados apenas pelos homicídios. Com relação às mortes causadas pelo trânsito, o país apresentou, em 2006, valores em números absolutos muito elevados de óbitos por acidente de transporte terrestre. Foram 35.155 óbitos causados por ATT.
Esses óbitos foram concentrados no seguinte perfil: homens (82%), adultos jovens (de 20 a 59 anos), residentes nos municípios de pequeno porte populacional. O risco de morte é mais acentuado para atropelamentos, entre idosos; para ocupantes de veículos, no grupo de 20 a 59 anos; e para motociclistas, no grupo de 20 a 29 anos. "Uma explicação para isso é a maior exposição do homem no trânsito", exemplifica Marta Silva, técnica da Coordenação de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis/Departamento de Análise da Situação de Saúde (CGDANT/Dasis).
As regiões Centro-Oeste e Sul apresentam os maiores riscos de morte por ATT, quando se avalia todos os acidentes. A região Centro-Oeste registra também o maior risco de morte para acidentes envolvendo motociclista e ocupante de veículo. O maior risco de morte por atropelamento é na região Norte. Santa Catarina, Mato Grosso e Paraná foram os estados que apresentaram as maiores taxas por ATT.
O risco de morte por ATT reduz a partir de 1998, ano de implantação do Código de Trânsito Brasileiro, contudo voltou a aumentar após 2000. Entre 2005 e 2006 ocorreu ligeira redução. Destaque para o crescente aumento do risco de morte por acidentes com motociclistas em todas as regiões. Em quase toda a década de 1990, a taxa por ATT era mais acentuada nos municípios de 100 mil e mais habitantes. Nos últimos anos, a taxa por ATT é menor nos municípios de grande porte, com valores bem semelhantes nos municípios com até 500 mil habitantes.
Uma hipótese para isso ocorrer é uma explosão demográfica cuja estrutura não acompanhou esse crescimento. As cidades cresceram e a infra-estrutura das vias não acompanhou o desenvolvimento. Mantiveram-se as ruas estreitas, a pouca fiscalização. "Em contrapartida, além de ter mais malha viária, as grandes cidades têm também mais carros e o fluxo é mais lento. Há muitos acidentes e batidas, mas como há grandes engarrafamentos, na maioria das ocorrências, não há vítimas sérias", disse Marta Silva.
Nas regiões metropolitanas havia risco de morte mais elevado nesses municípios até o ano de 1998, a partir daí há uma inversão com os municípios que não fazem parte das regiões metropolitanas assumindo os maiores riscos principalmente às custas da elevação das taxas de ocupantes de veículos e de motocicletas.
Análise espacial da mortalidade causada pelo trânsito mostra, para cada região do país, onde se localizam os aglomerados de maior risco de morte e mostra também o mapa com a distribuição espacial da taxa de motorização para cada uma das regiões. Essa análise possibilita identificar áreas geográficas críticas em cada estado que devem ser priorizadas nas intervenções de melhoria na segurança no trânsito.
Lidera a lista de óbitos por ATT o atropelamento de pedestres (27,9%). Na avaliação da taxa específica de idade, observa-se maior freqüência entre as crianças e os idosos acima de 60 anos, com taxa de 15,7 por 100 mil quase o dobro do que ocorre na faixa de 40 a 59 anos (8,3 por 100 mil).
Em segundo lugar estão os ocupantes de automóveis (21%) e em terceiro estão os acidentes envolvendo motociclistas (19,8%) categoria que vem crescendo a cada ano.
A partir de 1998, os municípios que não fazem parte das regiões metropolitanas passaram a assumir os maiores riscos de morte causada pelo trânsito, principalmente, por conta da elevação das taxas de ocupantes de veículos e de motocicletas. Os óbitos de motociclistas saltaram de 300 em 1990 para quase 7 mil em 2006. Os maiores riscos de morte foram nas faixas etárias de 15 a 39 anos, nos municípios de porte populacional menor que 100 mil habitantes e entre as regiões estão a Sul, a Centro-Oeste e a Nordeste, as que apresentaram mais riscos.
O aumento no número da frota de motocicletas devido a fatores como facilidade na aquisição e surgimento de novas profissões como a de motociclistas profissionais são os motivos que respondem pelo aumento no número de acidentes envolvendo motociclistas. "Hoje em dia se adquire uma moto com muita facilidade.
Por trás disso, há uma precarização do trabalho e o desemprego que geraram novas profissões, como os motoboys e motos-frete. Somado a isso, há uma ausência do estado na implementação do transporte coletivo, que poderia ser resolutivo, humanizado e efetivo", observa Marta Silva.
meionorte.com
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