Em Janeiro desse ano postei esta crônica no meu blog pessoal, o www.prasersincero.uniblog.com.br (que por sinal é muito mal atualizado. Minha última postagem nele foi em fevereiro de 2008!) e, relendo a crônica, percebi que ela se encaixa na mesma linha de pensamento da crônica Carta aos jovens do mundo escrita pelo meu grande amigo Gênesis. Então resolvi postar este meu texto para complementar a mensagem passada por Gênesis Naum, embora o seu texto seja muito melhor do que o meu. - Marcos Rangel¹³
Conversando certa vez com meu amigo jornalista Emanuel (como conversa sobre literatura ajuda meu amigo!), lembrei-me de uma idéia que tive há algum tempo, não muito. Minha preocupação com os poetas. Já estamos em 2008 e temos poucos (pelo menos conhecidos) poetas por aí, arrastando asa. A nova educação de hoje pelo jeito tem favorecido mais à frivolidade do que à genialidade e gosto pela Literatura.
Meu Deus, Drummond morreu. Não temos mais Quintana, nem Neruda. Cadê o Vinícius que estava aqui agora há pouco? Angela Rô Rô, ouvi dizer, está light. Manuel Bandeira, por onde voas? Sabino, meu caro, o que você faz aí? Eu tenho a impressão, e certeza, de que o Machado escrevia agora há pouco por alguma sala aqui. É de enlouquecer? À mim é. Reler não abuso (não abusamos), mas, como disse antes noutro escrito, é de novo que se vive o agora (de onde eu tirei essa frase? Forço e não lembro. Bem que meu irmão me falou - Memória de sabiá!). Não me contento mais em ler Antologias Poéticas de Fulano, Cicrano, Beltrano. Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução!
Existem saídas ainda. Mas tenho medo que aumente logo essa escassez. Chico Buarque ainda vive, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante. Mas não são eternos (ou são? meu Deus, mais uma vez estou a me enganar?). Aos poucos um por um vai fugindo, pegando o caminho de casa, e suas mãos, como pássaros, acenam e depois voam. Onde estão os novos poetas? Onde estão os novos dons, as grandes revelações? Escondidas, com medo de avaliações e críticas? Com vergonha? Não foram descobertos ainda, ou por acaso não se descobriram? Maldita mídia brasileira. Globo, eu te odeio!
Fico imaginando isso, a idéia vai me perseguindo, me puxando pelo pé tentando me tomar de total desespero. O pensamento não me sai. E se ficarmos sem poetas? E se ficarmos sem escritores? O valor, cada vez mais, está diminuindo, nos frustrando. Onde foi parar mesmo aquele hábito de se sentar na poltrona da sala e ler um livro de capa de couro com folhas de seda?
Belos tempos modernos esses em que vivemos. Eu bem que poderia ter nascido outrora, tempos da Semana da Arte Moderna (isso sim é que é modernismo), e ouvir Os Sapos no grande evento, mas a culpa é dos meus ancestrais que não tiveram a mesma pressa e impaciência que tenho.
Contudo, meu grande consolo, é que ainda não li todos os livros do mundo. Por enquanto posso ainda não me desesperar. Mas e meus filhos?
Blog pessoal do colunista Marcos Rangel