Gênesis Naum de Farias
Poeta e Acadêmico da Faculdade de Arqueologia
Universidade Federal do Vale do São Francisco UNIVASF
Campus Serra da Capivara/PI
e-mail: cabarebruxelesco@yahoo.com.br
Depois da miséria só à revolução...
Oscar Niemeyer.
Ao tempo de uma existência, como poderia me definir para despersonificar a essência dos contrastes que envolvem as incertezas do meu nítido silêncio?
Primeiro, seria preciso dizer que sou um homem do mundo, habitado por muitos lugares e composto por uma simbologia contida de desencontros.
O existir nesse caso, já efetivava configurações de spleen, com as oscilações de temperamento que tendem a lembrar a nebulosidade criada pelas marcas do fracasso.
Em tudo absorvi o herói ultra-romântico; na forma, nas idéias, nos hábitos, nas sublimidades; em tudo marcado por um profundo mal-estar, que será consumido por um tédio incurável.
Nesta busca pelo absoluto e fugindo sempre das convenções sociais para preencher uma necessidade de silêncio, torno-me tudo e nada ao mesmo tempo, e enfrento com vivacidade o existencial por se perceber um Dândi nas cidades urbanizadas e um eremita a procura das sublimidades das veredas do sertão.
Tenho sido na realidade composto por referências que dão sentido à busca que procuro no absoluto de tudo; de romanesco a anarquista, tudo me encerra a um ermo de incompreensões, diante do verniz aristocrático, pueril e provinciano da lógica do mundo capitalista. Mas a apatia e o sentimento de vazio só fortalecem minha própria interioridade, visto que sou um homem de vida interior muito intensa, que cria uma relação com as memórias para afugentar a morbidez niilista do desalento.
A incompreensão a esse tipo de sociedade, proposto pelo capitalismo tende a me isolar num mundo imaginário que chamo de Bruxulesco, por optar por viagens ermas a procura da interiorização do silêncio de mim mesmo.
O verniz aristocrático do capitalismo, mesmo com certo exagero de minha parte, marca época ao fazer a exaltação da individualidade como meta para acorrentar os indivíduos pelas normas do espírito singular do ter, as quais valorizam o bom senso uniforme da exclusão social pela necessidade de discutir um padrão e uma verdade mecanicista das relações sociais no universo moderno.
No exposto há sempre uma concepção fatalista para os resultados desse projeto da modernidade na vida das pessoas e em seus desejos de artificializar o contexto para personificar em modelo de sociedade cruel onde o homem inverte o diálogo com a existência para tornar a realidade trágica e de difícil acesso.
Enfim, sou dado a Odes, Opúsculos e Exílios, me reservando as paixões muito intimas que corroboram para um enfrentamento contundente ao contraste de sentimentos que o vazio desolador da realidade proporciona ao homem no seu convívio humano.
Este diálogo trágico com meu eu subjetivo, deverá ainda encontrar forte eco nas ações afetivas que me ligam à literatura, por acreditar que desta forma chego o mais próximo do silêncio que procuro na interioridade que me cabe sentir o vazio humano como matéria para a poesia que respiro e sou.