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Publicado em 06/10/2008 - 14:24:06  

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UM GRITO DE LIBERDADE
 
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Por Marcos Rangel, estudante de Arqueologia e Preservação Patrimonial pela Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF


“(...)e a folia do povo na democracia – feli(Z)cidade(...)” (Ploft – Belchior / Jorge Mello)

É no embalo do cearense Belchior unido ao piauiense Jorge Mello que me inicio nesta dissertação, nesta avaliação de um exemplo de democracia que se concretizou na cidade de São Raimundo Nonato que parecia dormir esquecida durante décadas.

Esta eleição mostrou a vontade da população, e a idéia de que não há poder que se perdure quando a vontade do povo pede mudança. E a voz do povo derrubou aquele poderio que tanto se mostrava indestrutível, invencível, inquebrável de tão gigante que parecia ser. Mas como diz o velho ditado: quanto maior o tamanho, maior a queda. E caiu.


Marcos Rangel na grande comemoração


A população compareceu às urnas para exercitarem sua cidadania, e para que sua vontade fosse atendida. E foi. Depois de tanta ansiedade, de tantas orações, de tanto medo e angústia, a grande vontade popular consumou-se na vitória do candidato Pe. Herculano, pelo Partido dos Trabalhadores, e o clima da cidade é de pura euforia e libertação.

Não pode-se negar que se desejou muito que isso acontecesse, e que muito se cantou prevendo esta vitória. Ora, foi o próprio Chico Buarque que em outra fase parecida cantou Vai passar que encaixa bem com esta situação que vivencia-se agora:

“Vai passar nesta avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade
Esta noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
NUM TEMPO, PÁGINA INFELIZ DA NOSSA HISTÓRIA,
PASSAGEM DESBOTADA DA MEMÓRIA
DAS NOSSAS NOVAS GERAÇÕES
DORMIA A NOSSA PÁTRIA MÃE TÃO DISTRAÍDA
SEM PERCEBER QUE ERA SUBTRAÍDA
EM TENEBROSAS TRANSAÇÕES
Seus filhos erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval
Vai passar
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos Napoleões retintos
E os pigmeus do boullevart
MEU DEUS, VEM OLHAR, VEM VER DE PERTO UMA CIDADE A CANTAR
A EVOLUÇÃO DA LIBERDADE ATÉ O DIA CLAREAR

Ai que vida boa olêrê
Ai que vida boa olárá
O estandarte do sanatório geral vai passar”

Agora é esperar que o trabalho e o futuro aconteça, que São Raimundo Nonato cresça, se desenvolva e ofereça aos seus moradores uma vida digna e orgulhante. Que ela seja preparada tanto para nós quanto para os seus visitantes. E que os fogos que estouram agora estourem sempre por conta do novo governo realizar obras que façam de São Raimundo uma das maiores, mais importantes e reconhecidas cidades do Piauí, do Nordeste e do Brasil.

Todos que me acompanham nesta coluna sabem que apoiei Padre Herculano desde o início de sua campanha. Contudo, por conta da minha profissão de colunista neste site, eu não podia apresentar preferência e favoritismo algum a ele e a qualquer outro candidato. Então, o único trabalho que fiz foi o de denúncia, de alerta e de conscientização. Agora, posso afirmar que integralmente fui o petista que presenciou sempre os fatos todos desta campanha, quem lutou em busca desta vitória popular, quem fez seu papel de cidadão sanraimundense. Nem mesmo diante de ameças de ter minha máquina fotográfica quebrada junta com a minha cara por adversários que não gostaram do meu ato de fotografá-los numa seção onde atuei como fiscal, eu não esmoreci e nem me acovardei para desistir desta campanha. Che Guevara, no momento de ser fuzilado, abriu sua camisa, pôs peito à mostra e gritou: “Atira ! Atrás desta camisa tem um homem!”. É espelhado na coragem de grandes revolucionários que sigo numa campanha de mudança geral, não só partidária e pessoal.

E a democracia é isto: a liberdade de mudar o poder, e não de deixá-lo permanecer nas mãos de uma família só. Hoje o grito de liberdade foi lançado e até agora ecoa nos céus. E que junto com ele chegue à Deus os nossos agradecimentos e louvores, pois a voz do povo é a voz de Deus.

“(...)Vai trabalhar vagabundo, vai trabalhar criatura, Deus permite a todo mundo uma loucura(...)Parte tranqüilo, oh irmão, descansa na paz de Deus, deixa este caso de pensão só para os teus(...)” (Vai trabalhar, vagabundo – Chico Buarque)