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Publicado em 23/09/2008 - 17:14:39  

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A Univasf e a Reeleição Pós-moderna
 
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Gênesis Naum de Farias

Poeta e Acadêmico da Faculdade de Arqueologia

Universidade do Vale do São Francisco – UNIVASF

Campus Serra da Capivara/PI

e-mail: cabarebruxelesco@yahoo.com.br


O que tenho a declarar diante do mal-estar do que me é posto ter que acreditar? O que venho declarar? Nada! Minha indignação, minha afetação, minha desafetação, meu vazio, minha solidão, meu silêncio...

O processo eleitoral que reelegeu o Magnífico Reitor José Weber Macedo Freire, foi realmente a prova que precisava para sentir o quanto estamos continuamente sendo usados, com o fim de dar manutenção ao que os Pós-modernos chamam de “Discurso da Miséria”.

É preciso entender a Pós-modernidade como sendo o não ser contemporâneo de si mesmo e viver num mundo de patchworks de estilos, técnicas, ideologias e citações caleidoscópicas do passado, onde as respostas únicas viram plurais e pontilhista (no termo de Sérgio Paulo Rouanet).

Diante do exposto, elaborei as seguintes inferências sobre o fato histórico envolvendo a reeleição na Universidade Federal do Vale do São Francisco: a instituição perdeu muito com o processo por não ter renovado seus quadros em função de um projeto de trabalho e administração mais democrático; a instituição perdeu por dar manutenção ao discurso da miséria; a instituição perdeu muito por dar continuidade à “Pedagogia do Terror” —; com a reeleição a democracia se estreita de mais a mais, tornando-se uma pequena ordem que marcha em sentido contrário aos interesses do sistema, findando-se no retrato mais que real da maioria da instituições educacionais brasileiras que convertem a noção de público em “privado”.

O que mais me deixou indignado foi perceber o valor e o preço que cada ser histórico possui num contexto como esse da reeleição; uns venderam a alma à Ditadura da Relatividade; outros trocaram seus direitos de independência e liberdade por cargos em Pró-Reitorias, cargos de chefia, coordenação de cursos; — enfim, os acordos sociais aconteceram para manter a ordem dos discursos...

Tudo isto é muito triste, por este motivo acredito que não temos nada a comemorar; não temos nada a declarar e, caminhamos para a estagnação do princípio geral do Estado de Direito, pois é claro ao observador comum ver toda uma comunidade acadêmica corrompida, prostituída, envenenada e estéril diante do que ainda teremos que enfrentar nesta Ditadura Pós-moderna com a afetação do improvável, da perseguição, da incompetência institucional, do nepotismo e da apropriação indevida do espaço da produção de saberes com vistas para o hedonismo generalizado, secularizado, relativisado, preconceituado e vitimizado pela descrença e pela desordem.

Eu só tenho a declarar que me sinto profundamente traído pelos que trocaram o livre-pensamento por um lugar ao sol —; trocaram a liberdade pela clausura dos opressores e da opressão. Para estes e para muitos, quero dizer que aprendi muito com os acordos bilaterais observados; aprendi a saber sentir, pois sempre repasso com honestidade toda sensibilidade que há em mim, mesmo no momentos em que a solidão me ampara no meio do caminho com suas pedras, sem precisar temer as inferências e perseguições do outro.
Agora quero me refugiar no silêncio de mim mesmo, onde encontro palavras sinceras para poder continuar vivo. Noticio que no ensejo do processo eleitoral e na eminência dos acordos com os traídos e traidores, resolvi me encerrar deste “exército de um homem só”, onde falarei da comunhão como um elemento fundamental para se manter a ordem das coisas, mas evoco meu próprio silêncio, meu eterno desconforto, meu niilismo perpétuo, minha grandiosa fé, meu vazio...

Finda-se aqui mais uma nota escrita na distância de uma aparição pública norteada por muitas frustrações.

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