Durante o século XVIII, o sistema de governo que regia o Brasil era a monarquia. Nesse regime, o governo passava de pai para filho. Um monarca governava até a morte, em seguida, o sucessor era seu filho mais velho, e assim por diante.
Hoje felizmente não é mais assim. Aqui em São Raimundo Nonato, por exemplo, as leis não permitem que um monarca governe a vida inteira, ele só pode comandar, no máximo, por oito anos seguidos. Em seguida tem que colocar o poder nas mãos de alguém da família.
Há um tempo atrás, depois de muito (des)governar, o senhor Gaspar Ferreira, teve que dar lugar a um familiar. O sortudo escolhido por ele para lhe suceder foi seu filho Avelar Ferreira. Este, (des)governou durante oito longos anos, mas chegou a hora de dar lugar a um parente. Eu sei que esse é um momento muito triste para ele, pois não se pode negar que seja realmente difícil ser destronado, mesmo que seu substituto seja um familiar. Porém, fazer o quê! É a lei que determina isso. Restava-lhe apenas escolher o sortudo para herdar-lhe o trono, o que ele tratou logo de fazer. Como a legislação não permite que ele indique um filho, a esposa, o pai ou um irmão, o primeiro nome que lhe veio à mente foi o do sobrinho Gaspar Neto, chegou até a apresentá-lo à sociedade como seu herdeiro e tudo mais.
Entretanto, assim de uma hora para outra, o homem resolveu voltar atrás em sua decisão e elegeu um outro felizardo sobrinho, desta vez uma mulher, de nome Ana Teresa, por ela ser parente também de um outro homem rico e poderoso lá de Teresina. Com ela não foi diferente, além de apresentá-la à sociedade, o nosso prefeito fez a maior lambança para defender a menina, foi a todos os meios de comunicação jurar de pés juntos e bradar para todo mundo ouvir que ela era a melhor sobrinha do mundo e a pessoa perfeita, ideal, o sonho de todo sãoraimundense.
No entanto, a menina não conquistou a simpatia do seu partido (PTB) e ela não foi a preferida pela sigla. Aí mais uma vez nosso prefeito tinha que se virar nos trinta para dar conta de um novo sobrinho disposto a assumir o poder do município, já que a essa altura, o primeiro escolhido (Gaspar Neto) não aceitou mais a indicação, pois não queria servir de remédio.
Mas o nosso prefeito foi lá e veio cá, pisou dentro e pisou fora, e de repente, como num passe de mágica, apareceu com um novo sobrinho, desta vez chamado Valmir Filho. Aí toda lambança e falatório se repetiram. O rapaz foi ovacionado e glorificado pelos familiares mais próximos, diziam aos quatro ventos que ele era sua jóia rara, e o colocaram como o redentor, o salvador de São Raimundo Nonato.
Eis que também de repente, surge um boato de que o ele não vai mais poder herdar o trono do nosso prefeito, por alegações de que o rapaz já fazia parte do reinado atual, pois comandava o dinheiro do reino. E agora José?
Bom, eu particularmente, me recuso a arriscar um palpite sobre o que irá acontecer, mas fico a pensar com meus botões: se esse boato se confirmar, será que o nosso prefeito vai conseguir fazer uma nova mágica para fazer aparecer um novo sobrinho?
Salvador de Castro